Felipe Lacerda - o escritor que diz Ni

Fevereiro 17 2010

Cá estou eu numa quarta feira pós carnaval entediado no trabalho (por isso a falta de acentos, e possíveis erros ortográficos, antes que reclamem) quando um e-mail no meu Yahoo de estimação informa que os nerds do Orkut ainda estão falando de mim. Porra, turma! Uma semana depois do maldito texto que cutucou os vossos anus e voces AINDA estao com a bundinha doida porque alguem falou mal do forum de voces? Sério que a coisa ainda é relevante o bastante pra justificar seis paginas de discussao? Eu começo a pensar que esse forum é tudo que voces tem na vida, porque como mais eu poderia explicar essa devocao quase religiosa pelo ambiente? 

Vou dar-lhes um valioso conselho, que voce pode utilizar para sua vida e melhorar a própria existencia, ou apenas descarta-lo como voce fez com todas as outras pequenas convencoes sociais que o permitiriam ser alguem desejavel pelo sexo oposto:

Existe algo lá fora chamado “mundo real”. O conceito parece complicado, eu sei, mas é bem simples. “Mundo real” é aquele lugar pra onde as pessoas normais vao quando voces estao discutindo na internet as cinco da manha, ou quando voces passam a noite de sabado na frente do computador festejando a vitória em algum Strategy Game russo. Basicamente, o mundo real é aquele lugar que voce trocou pela internet devido a sua completa inabilidade de lidar com outros seres humanos. Vao dar uma saida la fora, voces vao gostar de conhecer o ambiente. Nao se preocupem, seu computador ainda estara ai no quarto da mamae quando voce voltar. Ao inves de ficar vigiando meu blog e meus comentarios e relatando tudo que voce lê aqui pros outros internet warriors, voce poderia interagir com um ser do sexo feminino que talvez nao terá nojo de voce! É uma possibilidade vaga, eu sei, mas é uma possibilidade!

Quem sabe assim voces entenderao que nao é necessario dar tanta atenção e energia a algo que nada mais foi além de uma implicâncaznha de nada motivada por total tédio de minha parte (pode parecer alienígena para vocês, mas eu realmente NÃO ME IMPORTO tanto assim com a quantidade de pessoas que estão lendo meu blog, eu curto mais um lance de qualidade, sacou?) que só tomou as proporcoes que vimos agora porque voces sao nerds mimados que choram se alguem sequer critica o console que a mamae comprou pra voce no ultimo dia 12 de outubro. Vocês vão me odiar por isso, mas eu realmente não gosto do Nintendo Wii - pronto, falei).

Arrumar uma mulher poderia ajudar tambem, vou cruzar os dedos aqui pra voces. Boa sorte em suas aventuras offline e em sua tentativa de estabelecer um relacionamento convencional com outras pessoas que nao sejam a sua familinha faz-de-conta de Ragnarok!

 

***

 

Desculpe por isso, leitor normal que não tem pôsters do Star Trek na parede do quarto, mas isso foi extremamente necessário. Tudo por causa de uns recados melindrosos num fórum que eu entrei para pegar algumas noções para montar um pro-bloger- me chamaram de Nub, deve ser um xingamento no daleto deles - 

Se você tem um modem há mais de dois dias, já deve ter notado que é mais fácil cagar uma barra de ouro puro do que encontrar pessoas inteligentes na internet. E mais frequente que os imbecis virtuais, são os manés que disfarçam sua cretinice com algumas pitadas de conhecimento geral e um mínimo de bom senso, o que levaria você a imaginar que está diante de alguém comum. Mas não está. Este sujeito com quem você animadamente debate o sistema de cotas ou a guerra no oriente médio, por mais efetivo que seja seu disfarce, não passa de mais um dos infinitos débeis mentais com banda larga espalhados pelo globo.

Por que é tão difícil encontrar pessoas inteligentes na internet? Para responder a essa pergunta, você precisa entender um aspecto muito importante das comunicações internéticas em geral – a internet provoca cretinice. Enquanto no mundo real uma discussão acalorada sobre aquele referendo do desarmamento terminaria com um dos dois lado admitindo que opiniões são opiniões e que se há uma coisa sagrada que todos concordam, é que o Xbox360 é muitíssimo melhor que um PS3, a mesma discussão na internet não acabaria de forma tão feliz. Você diria que o sujeito defende o desarmamento porque ele está aprovando um improvavel golpe de estado, enquanto o outro diria que sua opinião pró-armas apóia a violência no país, e antes que o moderador do fórum pudesse suspender um de vocês dois, mães já estariam envolvidas nos xingamentos e alguém acabaria com uma denúncia registrada no Ministério Público por calúnia e/ou difamação.

E por que isso acontece? Porque ninguém inventou ainda um periférico que permita esmurrar um internauta através de seu monitor. Enquanto a comunidade científica se ocupa com bobagens que vão desde cura do câncer a exploração espacial, eu não posso discutir tranquilamente na rede virtual sem que um imbecil meta as fuças no meio da conversa e vomite seus pensamentos desconexos que apenas com muita boa vontade poderiam se passar por um argumento. No dia que a Creative ou a Apple lançar seu esmurrador remoto de pessoas imbecis (contanto que o aparelho não exija o pagamento de um serviço adicional, nos moldes do Xbox Live), estarei na fila da Best Buy.

iPunch” tem uma sonoridade boa, admita.

Como um bom desocupado (bom, na verdade nem tanto atualmente, mas serei sempre um vagabundo de coração como vocês), eu me encarreguei com a tarefa de identificar e quantificar a imbecilidade do Internauta Comum. Após ler este texto, você nunca mais terá que se perguntar “Será que este sujeito que defende a qualidade musical do último CD dos Los Hermanos é um imbecil?”, embora essa devesse ser uma pergunta retórica pois é sabido que qualquer pessoa que não nutra respeto pela banda é, de fato, um idiota sem salvação.

 

Primeiro patamar de imbecilidade
Pessoas que pontuam frases com pontuação excessiva
É impressionante que nos dias de hoje ainda há pessoas que criam tópicos em fórums com o título “alguém sabe onde posso pegar o instalador do fotoshope” acompanhado de trinta ou trinta e um pontos de interrogação, costumeiramente enfiando um ponto de exclamação no meio ou algumas barras e uns. O que eles estão pensando? Que a quantidade exagerada de pontuação desnecessária irá apressar a resposta à sua dúvida?

 

Sinto um misto de pena e desprezo quando presencio um destes retardados (que infelizmente são bem mais numerosos do que um Deus justo e amoroso deveria permitir) comunicando-se com sua característica pontuação excessiva. Na maioria esmagadora dos casos que presenciei em minha longa interação com a rede mundial de computadores, pessoas que pontuam frases com “!!!!!!!!?????” costumam também usar “rsrs” e enviar para os seus familiares apresentações de powerpoint que já eram velhas quando o muro de Berlim caiu. Preciso dizer mais alguma coisa?

 

No mundo real, este imbecil…

Seria o tipo de pessoa que, durante uma conversa entre amigos, faz um comentário irrelevante qualquer em forma de uma exclamação exagerada. Imagine a situação:
– Porra, eu adorei aquele filme.
– Eu também. Bons efeitos especiais, ein?
– É VERDADE PESSOAL, AQUELE FILME FOI O MELHOR QUE EU ASSISTI ESSE ANO!!!!!

Evite qualquer contato com esse tipo de gente, ainda que seja apenas contato visual a uma distância de cinquenta metros. Você não vê nenhum fã do Clube da Luta dando um pití desses, por mais que o filme seja foda.

Segundo patamar de imbecilidade
Pessoas que correm pra delatar outros internautas pras autoridades forísticas
Embora há alguns anos (lá por volta da quinta série) xisnovear (do erbo Caguete) coleguinhas de sala pra “tia” e assistir a subsequente confusão era divertido, saudável e até educativo, é provavelmente uma boa coisa o fato de que a maioria das pessoas evoluiu daquela fase (também conhecida como “pré-adolescência” ou “virgindade”). Entretanto, além de pornografia, a internet também é notória por trazer a tona a criança retardada que vive dentro de cada um de nós. E um dos comportamentos clássicos desse tipo de gente é a mania quase patológica de delatar os outros. Sou um inveterado leitor de blogues e congêneros, e posso afirmar que nhum outro terreno é mais fértilo para a imbecilidade que um editor de textos ou espaço para comentário, por mais limitada que seja a quantdade de caracteres. (E EU NÃO TENHO TWITTER. Minha namorada tem, eu já rio o suficiente.) Esses protozoáros imbecis ainda não domaram as técnicas mais rudimentares de convívio social, então eles costumam falar e fazer idiotices o tempo todo, irritando a parcela não-imbecil da blogosfera – assim como uma segunda qualidade de imbecis, também. Estes últimos se imbuem da responsabilidade de caçar os provocadores de confusões e destruir sua influência maligna no ambiente. Todo dia recebo scraps e emails me avisando de que alguém falou “isso”  ou "aquilo" em tal site sobre meu blog ou algum texto meu, ou que um outro fez montagens com as fotos da namorada de um terceiro e querem que eu publique, e daí pra baixo (ironicamente, isso aconteceu bastante comigo recentemente).

Os dedos-duros virtuais vivem num mundo fantasioso em que a infraestrutura de um site como o orkut não poderia resistir sem a sua influência benevolente, e portanto agem de acordo. Como o ESPALHANDO CÂNCER poderia funcionar normalmente (e por “funcionar normalmente” entenda-se “exibir centenas de tópicos irrelevantes, uma lista de comentários onde obrigo os gênios e poetas a dividirem a barra lateral com imbecis patológicos e um ou outro spam genérico) sem que eu o vigiasse constantemente, impedindo que baderneiros orundos dos confins do orkut exalem o fedor da confusão virtual no coreto? (?!!//1)

Normalmente, delatores virtuais abraçam a agradável ilusão de que eles são de alguma forma superiores aos criminosos virtuais que deduram. Isso nao passa de um engano; embora suas imbecilidades se manifestem de formas dimetralmente opostas, ambos ocupam o mesmo patamar de imbecilidade online – e ainda assim, considera-se o incitador com um pouco mais de prestígio que o justiceiro virtual, porque enquanto o incitador age por lazer, seu antagonista defende o ambiente virtual como se isso fosse algum tipo de trabalho voluntário não-remunerado. E todos sabemos que tipo de gente faz trabalho voluntário – hippies, pessoas com problemas de consciência, ex-viciados, puxa-sacos e aquele povo estranho do Greepeace.

Alguns vão ainda mais longe em sua disposição em policiar a internet e até “formalizam” a coisa (o que reflete uma violenta necessidade de reconheimento). Quando três ou mais desses indivíduos se reúnem, surgem abominações como os auto-proclamados Justiceiros do Orkut ou 90% dos usários do Twitter. Tais comunidades se sustentam tanto pela colossal estupidez de seus membros, quanto pela seu igualmente colossal desejo de anexar uma mínima quantia de autenticidade ao seu grupo de vigilantes da interweb. Os casos mais perdidos dessa espécie pensam até em registrar seu grupinho em cartório, isso se já não tiver impresso carteirinhas de sócio para os companheiros.

No mundo real, este imbecil…

…Seria como o Diego Alguma Coisa, que era por sua vez um moleque roliço com quem eu cursei a terceira ou quarta série há bilhões de anos atrás. Estudávamos num colégio religioso (a orientação era adventista, pros curiosos) e conversar telepaticamente com Jesus logo no início das atividades escolares diárias era uma prática inviolável. Por um motivo ou outro, num belo dia decidi que não estava afim de bater papo com divindades e manti meus olhos anarquicamente abertos durante a cerimônia.

Aí que entra Diego Alguma Coisa, que foi rápido em avisar à professora ao fim da oração que “O FELIPE TAVA DE OLHO ABERTO, EIN TIA!” Jumentíssimo, a rolha de poço não deve ter notado que com a sua acusação, ele havia acabado de admitir que também não havia participado do ritual religioso. Não sei que fim levou o desgraçado, mas consigo até imagina-lo enviando scraps pros moderadores de suas comunidades favoritas, avisando que o Fulano de Tal e o Sicrano da Silva são na realidade semeadores da discórdia.

 

 

 

 

 

 

Terceiro patamar de imbecilidade
Pessoas que abraçam fama virtual inexistente
A internet deu a muitos Zé Ninguém a oportunidade de falar bobagens pra um número bem maior de pessoas do que a geografia normalmente permitiria. Invariavelmente, alguém acabará achando que o Zé Ninguém é um rapaz muito especial e, meu deus do céu, vai até admitir pro rapaz sua opinião via um email elogioso muito bem redigido, tomando o maior cuidado de se identificar como um “não-paga-pau, como aqueles outros”. Quando dez ou mais pessoas fazem o mesmo num espaço curto de tempo, Zé Ninguém começa a achar que é de fato algum tipo de celebridade. É o nascimento de uma estrela virtual.

Já troquei umas idéias com estrelinhas virtuais no passado (ou, em retrospecto, pessoas que acreditavam ser estrelinhas virtuais), mas em casos como o do famosíssimo Thiago Fialho, ao menos havia algo que pudesse levar o coitado a ver-se como algum tipo de ganhador do prêmio Nobel ou coisa que o valha – afinal, o Fialho é dono do mais famoso e simultaneamente desconhecido videolog da internet do mundo inteirinho, supostamente o primeiro de toda a galáxia, e isso deve valer ao menos uma entrada grátis no cinema local quando você informa o guichê de que tremendo VIP você é. Entretanto, o orkut está fazendo muita gente acreditar que é importante por motivos bem mais idiotas.

 

Disclaimer: pra ser sincero, poucas coisas são mais idiotas que se achar mundialmente famoso porque o seu site idiota com vídeos igualmente idiotas tem 300 visitas diárias e foi citado numa coluna de 4 linhas na Gazeta Semanal de Juazeiro do Norte, mas darei uma colher de chá pro garoto Fialho, porque ouvi dizer que o primo dele conhece um sujeito que tem o telefone de um advogado.

Como eu estava dizendo, os sedentos por reconhecimento acharam no orkut um novo motivo pra gabar-se de sua influência inexistente – números arbitrários regidos por um software mais bugado que a versão beta do Windows 3.11 e que na verdade não significam absolutamente NADA.

Quantas vezes você estava xeretando o perfil de sua ex-namorada e acabou sendo atraído a um outro perfil, um que mostrava uma garota mais exuberante, apenas pra ser surpreendido no perfil da vadia com pedidos chorosos de que você junte-se às variadas comunidades de pobres coitados que supostamente a amam?

Como se o orkut não fosse exclusivamente lotado de comunidades imbecis e que o ato de criar uma comunidade exija tanto esforço quanto beber água usando um canudinho motorizado, algumas pessoas têm o ego masturbado quando são informadas de que alguém montou um grupo em sua homenagem, como se isso fosse o equivalente a usar seu nome pra batizar um navio ou esculpir um busto de marfim ou algo assim. Mais que isso, a pessoa (geralmente mulher, vai entender) joga qualquer sombra de dignidade na privada e passa a rastejar-se nas sarjetas virtuais daquele antro de idiotas recrutando mais participantes pras comunidades criadas em sua honra. E dá-lhe Spam, mano.

Isso pra não mencionar alguns sujeitos que, quando não se gabam do número de “amigos” que mantem no site, queixam-se em voz alta em relação aos bugs orkúticos que exibem no perfil do sujeito um número de “fãs” inferior ao que ele realmente tem. Notou as aspas sarcásticas? Não costumo usá-las sem bom motivo. A definição de “amizade” no orkut é “atitude de aceitar meu pedido virtual por meio de um clique em um botão”, ao passo de que o significado de demonstrar admiração fanática é “atitude de… clicar em um botão”. Se você está convencido de que o fato de que 500 pessoas clicaram em um botão em sua honra significa que eu devo reconhecer a sua importância, por favor, vá lamber sua própria bunda.

No mundo real, este imbecil…
Eu nem consigo imaginar que tipo de comportamento seguiria a já horrível atitude de respectivamente esmolar e se gabar atenção e importância no orkut, o que é um bom sinal para a humanidade em geral.

Quarto patamar de imbecilidade
Vovôs virtuais e seus maçantes sermões sobre educação internética
Já percebeu que você mal pode mandar um idiota se foder que rapidamente um policial elitista da moral e bons costumes aparece em cena pra dar a sua opinião babaca a respeito de que você não tem o direito de se expressar daquela forma na internet, e que blá blá blá blá blá crianças estão lendo blá blá blá? Sob investigação mais cuidadosa, 90% dos indivíduos que opõem-se às suas demonstrações de liberdade de expressão revelam-se ter mais de quarenta anos. Aí reside uma combinação drasticamente idiota – gente velha e a internet (ahn... melhor eu ir com calma aqu).

Gente velha – e pra fim de debates, estabeleçamos “gente velha” como qualquer ser humano vivo que já era adulto nos anos 80 e que portanto pôde apreciar clássicos como Capitão Planeta ou Família Dinossauro* – tem uma habilidade impressionante de não se adaptar a mudanças. Idosos não apenas não se adaptam aos avanços da sociedade ao seu redor, mas ativamente lutam para manter um ambiente de comportamento retrógrado e ultrapassado onde quer que estejam.

Vamos deixar algo bem claro – se eu estou mandando alguém se lascar,foder, danar ou tomar algo em lugares inópitos, esta pessoa provavelmente merece o gasto de energia resultante na digitação e publicação de tal ofensa. Se eu julguei que o dispêndio de tempo e esforço dedicados na tarefa de ridicularizar o sujeito perante seus coleguinhas era justificável, compreenda, você simplesmente não sabe do que está falando se tenta argumentar comigo que eu não devo tratar as pessoas desse jeito e que no seu tempo os mocinhos eram mais educados e a gasolina era mais barata e computadores ainda tinham monitores monocromáticos e blá blá blá blá. Você fala demais, e pior que isso, fala demais sobre algo que ninguém quer ouvir. Cale a boca e aceite que a internet existe com o único propósito de facilitar a entrega de ofensas mundialmente.

(Nota: Fui tomado no parágrafo anterior por um surto de ira que não expressão a totalidade de minhas opniões à respeito do assunto abordado. Devo ressaltar que alguns, ouça bem, algumas pessoas com mais de 30 anos sabem manejar um mouse sem sofrer nenhum tipo de humilhação pública)

No mundo real, este imbecil…
Assiste novelas reprisadas no Vale a Pena Ver de Novo e relembra nostalgicamente a respeito de que, quando a novela passou pela primeira vez, os comerciais nos intervalos eram da Mesbla e das Lojas Riachuelo. E também que naquela época um garoto de 14 anos não tinha métodos tecnológicos pra utilizar quando queria desrespeitar um idoso.

 

Bom, isso é basicamente um resumo de todos os imbecis que povoam a internet em geral. Há aqueles que vão além de nossas expectativas e não se enquadram em apenas um, mas dois ou até três perfis de imbecis virtuais.

Desafio você a se dirigir ao botão de comentários mais próximo e não encontrar ao menos dois internautas que se encaixem direitinho nas descrições que você acabou de ler aqui.

É batata.

 

Ah, e só mais uma coisa: *Aê velharada que lê este blog: façam-me o favor de me poupar do comentário clichê “ahhhh mas eu tenho 50 anos e curtia Capitão Planeta e/ou Família Dinossauro!

E NÂO, não gosto de JETSONS!

publicado por Felipe Lacerda às 14:14

não, eu não gosto de Los Hermanos, adoro o twitter e sou adepta ao Greenpeace.
como consegui me tornar sua namorada?
hahaha
marielle a 17 de Fevereiro de 2010 às 16:00

bem, eu não concordo muito com o post – que achei genérico demais e um tanto quanto “surdo” para outras questões dos “imbecis” virtuais.

Vamos pensar assim: O sujeito vive no tal forum. Praticamente não tem nenhum contato com a realidade exterior àquele mundo de rankings de usuarios e colunas de msgs. À primeira vista, eu poderia até me imaginar muito melhor que ele, na vidinha noturna da cidade.

Mas, veja bem, por que achamos tanto que a interação social dita como “real” (ou normal, para alguns) é tão assim melhor que a do nosso colega? Pois esse mundo que ele vive – o tal forum – tem suas proprias regras sociais, mazelas e relacionamentos, ainda que num outro nivel de realidade. Pra ele, é bem real, e realidade, afinal, não é uma questão de percepção?

E mais, Não é raro você estar no tal mundo real, mas estar tão distante das pessoas quanto no msn. Eu sou músico (ou digo ser, enfim) e tenho muita interação social com tudo que é tipo de gente, e eu sei muito bem que existem situações do mundo real que são tão patéticas e superficiais quanto um msn.

E por outro lado, eu acredito que possam existir interações sociais virtuais profundas, tendo em vista que essa é a tendencia deste mundo – diminuição do aspecto fisico do mundo para aproximar as pessoas.

Kid, eu só acho que todas essas facetas que você falou existem no mundo real, só que são apresentadas de outras formas, pois são mundos diferentes e os relevos da alma humana assumem diversas paisagens dependendo de que mundo ela está.

Então, o problema não é a internet ou a falta de interação social, é simplesmente que todos somos humanos com todas essas imperfeições que sempre vão transparecer, seja qual for o mundo.

E você tambem apresenta esses mesmos defeitos, só que demonstra eles de modo diverso. Ego, todos temos, e todos temos que satisfaze-lo. É uma ilusão apatica achar que não.

Então, penso, que direito temos de criticar essas pessoas? O caminho não é esse, no fim das coisas.
El Shadai a 17 de Fevereiro de 2010 às 17:39

como dizem Rita Lee e Zélia Duncan, o buraco é mais em cima.
É falta de inteligência mesmo.
Um trecho de Cafeina, Meu Amor para exemplificar o que eu sinto em relação a isso:

"A internet é uma ferramenta fantástica. Se você tiver merda na cabeça. Não sei por que escrever isso aqui agora, talvez por me dar conta de quão analógico é meu trabalho hoje em dia.
Já estive conectado o tempo todo. É uma necessidade em cartas áreas de trabalho.
Estive lendo Marx de novo.
Estou fundando uma sociedade secreta. É ridículo a primeira vista, eu sei. Mas é o que eu realmente quero. Se chama Ergasia. Trabalho em Grego. Quem sabe em duzentos anos seja algo completamente ridículo e inútil como a Maçonaria. Talvez seja algo que ninguém lembra que existiu. Talvez eu morra satisfeito.
Em outros países o nível da internet é bem melhor. No Brasil é um amontoado de imbecilidade que espanta todo mundo que tem algo a dizer.
O que eu quero a a última revolução. A que está anos luz a frente do comunismo.A que acaba com a náusea de existir.
Estou trabalhando em uma revista. Em fazer uma revista, que nem a Cristina fez a dela. A minha se chama Paraíso Perdido. É um tema complexo. E um trabalho cansativo. Mas é a minha idéia de mundo, o meu sonho. Estou tentando consertar os erros que eu vejo. consegui um grupo de lunáticos para fazer uma peça de teatro sobre o tema. Assim como consegui convencer uns dois ou três microempresários. E estou escrevendo um livro.

Empolgado? Algo mais que isso. Mas é difícil explicar sem muita teoria, e por hora estou muito cansado."



Acho que já escrevi sobre esse problema em algum lugar, mas pretendo escrever algo essa semana no Óculos de longo Alcance Para Vistas Sem Relance em apoio a este post.
cochise a 17 de Fevereiro de 2010 às 23:23

Well well...

Eu amo Los Hermanos. Eu tenho twitter, blog, orkut, msn e até youtube.

Cochise, a última revolução é fantástica. Ou melhor, seria fantástica, se desse certo. Em 1984 ela deu certo, de uma forma tão impressionante, que chega a ser, sei lá, um baque, um murro na cara de quem lê. A última revolução é a revolução dos corpos e das mentes e das consciências, a revolução que nos liberta de todo o resto.
Quisera eu que a última revolução ocorresse.

Não acho que a internet seja a nova revolução, ou uma ferramenta para ela. A nova revolução virá de dentro para fora, se é que virá, um dia.

Eu sei que isso não importa, mas se te interessar, estou trabalhando em ensaios sobre a pena de morte, o aborto e a eutanásia. Em breve no blog.

Beijos pra vcs, meninos, e não sumam!
Bárbara a 19 de Fevereiro de 2010 às 00:37

http://poecinzas.blogspot.com/2009/09/uma-carta-para-george-orwell-de-aldous.html

O Huxley escreve melhor do que eu sobre isso.
Bárbara a 19 de Fevereiro de 2010 às 00:38

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