Felipe Lacerda - o escritor que diz Ni

Dezembro 07 2009

Enfim finalizado o romance  Longas Escadas, escrito em parceria com dois escritores divinopolitanos, Paulo Mendonça e Franco Nascimento.  Um romance de suspense e terror que tenho o prazer de ser co-autor. Embora o livro seja assumidamente uma ficção, uma história que inventamos, o conteúdo foi baseado numa série de teorias místicas. Claro que se trata de uma mescla de teorias diferentes, favorecendo a ficção que criamos. E do modo como as coisas acontecem no livro, o intuito é apenas criar uma atmosfera convincente de terror.

Porém, para aficcionados do gênero, cabe a análise de algumas dessas teorias. Sabidamente, esse é um assunto que nos interessa muito (o oculto), e ao escrever a história, tivemos o cuidado de manter certas verossimilhanças. O que acontece com os personagens centrais da trama é uma síntese de uma série de conceitos ocultistas e metafísicos.

Para quem ainda não sabe exatamente do que se trata a trama, eis um breve resumo:

 

"Existe um lugar onde os pesadelos moram. E qualquer um de nós pode chegar lá. Nem que seja por acidente. Projeto Zero é a melhor banda do mundo. Assim dizem os jornais. Para seus integrantes, é o maior projeto de garagem que fizeram. E depois de anos lutando pelo sucesso, a banda brasileuira consegue sua tão sonhada projeção internacional. Iniciam a turnê pelos Estados Unidos a bordo de um ônibus.  O sonho de todo adolescente que quer ser um astro do rock. Mas estão prestes a descobrir que já não são mais tão adolescentes assim. Numa estrada da Carolina do norte, o ônibus sofre um terrível acidente. Inexplicavelmente, deparam-se com uma cidade absurdamente desconhecida e surreal. Uma cidade onde cada um deles se depara com seus mais mais profundos pesadelos. Narrado por três autores: Paulo mendonça, Felipe Lacerda e Franco nascimento, respectivamente, tecladista, vocalista e guitarrista da banda. A história é contada na forma de relatos aterradores, que conduzem o leitor a uma imersão terrível no mundo dos pesadelos".

Resenha do Recanto das Letras - 14/08/2009

Baixe o primeiro capítulo do livro em PDF aqui.

 

A história, narrada em primeira pessoa por três dos integrantes da banda, conta-nos sobre um outro mundo, à margem desse, um mundo onde os "pesadelos" vivem, ou onde está materializada a projeção dos temores da humanidade, na forma de uma cidade. Salvo as liberdades poéticas que o romance toma, essa história é baseada em teorias reais, conforme disse. Nós criamos esse "Cenário" onde acontece a história, mas a idéia de um "outro mundo à margem desse" não é uma novidade dentro do ocultismo. Fizemos um extenso trabalho de pesquisa a cerca do assunto e nos deparamos com relatos e expeculações fantásticas. Essas "teorias", místicas ou não, apontam para um outro mundo, um universo paralelo ou algo assim. Embora o termo esteja bastante vulgarizado pela ficção à respeito, é digno de uma observação atenta e inteligente. Fenômenos intrigantes como o famoso Triângulo das Bermudas, onde embarcações e até aeronaves somem misteriosamente, sem deixar nenhum rastro físico. Para onde são mandadas essas pessoas e veículos que somem inexplicavelmente? A idéia de "portais", ou "rupturas" na realidade não é um conceito novo. Nada vem do nada, e tão pouco vai para o nada, não é mesmo? Não são poucas as teorias que explicam o Triângulo como um Worm hole, ou seja, literalmente, um buraco no tempo e espaço. O termo buraco de verme (wormhole em inglês) foi criado pelo físico teórico americano John Wheeler, em 1957. Todavia, a idéia dos "buracos de verme" já havia sido inventada em 1921 pelo matemático alemão Hermann Weyl, em conexão com sua análise da massa em termos da energia do campo eletroágnético. Se alguém "encontrasse" um Wormhole e viajasse através dele, os cientistas não têm certeza sobre como isso afetaria o indivíduo. Alguns acreditam que um buraco de verme não se manteria estável por tempo suficiente para permitir a travessia. E existem teorias que sugerem que mesmo que ele permaneça estável, o viajante seria alterado de formas indeterminadas e poderia experimentar danos ao coração ou cérebro, e possivelmente até a morte. Mais ou menos o que é experimentado pelos ocupantes daquele ônibus. Claro que esse é apenas uma das teorias que a ciência propõe.

Outro caso histórico refere-se ao navio Mary Celeste, que é inclusive citado no livro. Mary Celeste foi um bergantim (embarcação do tipo Galé, de um ou dois mastros e velas redondas) encontrado à deriva na direção do Estreito de Gibraltar, em 1872.  Não se sabe as razões pelas quais foi abandonado ou o que aconteceu com a sua tripulação. eles simplesmente desapareceram sem deixar vestígios. Haviam roupas e pertences no navio, nenhum objeto fora levado. Não havia nenhum sinal de saque ou avarias no navio que poderiam ter levado-os a abandoná-lo. Inclusive, nada de sua carga fora roubada, e haviam refeições servidas, intocadas.  O mistério de Mary celeste é citado em diversas obras literárias.

Fato similar ocorreu com Roanoke, uma colônia inglesa no estado da Carolina do Norte (EUA) que simplesmente desapareceu sem deixar nenhum vestígios! Nenhum dos 117 colonos que haviam sido deixados no local, homens, mulheres e crianças, foram encontrados. Assim como no caso de Mary Celeste, sem o menor sinal de evacuação... Encontraram apenas uma inscrição no tronco de uma árvore que dizia CROATOAM. Esse é o nome de uma ilha à 80 km do local, habitada por índios amigos, possível destino dos colonos. Mas os colonizadores jamais conseguiram chegar à ilha para averiguar, e o paradeiro daqueles colonos ainda hoje é um mistério, junto ao motivo que os teria levado a abandonar a colônia. Nos livros de história, Roanoke é chamada de "A colônia Perdida". 

Claro que são mistérios e nada se pode comprovar disso. Nem saber se o que ocorreu com Mary Celeste ou Roanoke é algo sobrenatural. Mas embasado nessa especulação, contruímos a trama de Longas Escadas. O cenário onde se ambienta o livro é algo ainda mais visceral que uma simples suposição. Trata-se objetivamente de um outro mundo. Com todos os seus elementos literários para uma história de terror, mas será que algo assim é possível? Um outro mundo onde habitam "pesadelos"? Ou mais ainda, uma outra realidade?

Segundo a psicóloga Vânia Sartori, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), os pesadelos são um sinal de que algo não vai bem no departamento psicológico, indicando conflitos interiores, questões mal resolvidas ou excesso de ansiedade. "Existem casos que são fruto de um trauma. Se, por exemplo, uma pessoa foi assaltada e não quer mais sair de casa, ela terá pesadelos que a farão reviver a situação - como se o cérebro enviasse a mensagem de que ela tem que passar por aquilo de novo, até superar seu medo". 

Do ponto de vista psicológico, é correto afirmar que os pesadelos não possuem nada de sobrenatural. São apenas sinais elétricos, como tudo que se passa nessa sua cabecinha.

Entretanto, é digno de reflexão o que diversas religiões e culturas afirmam sobre "outros mundos", existentes além do véu da percepção.  Não são poucas as crenças em um mundo paralelo ao nosso, e mesmo relativos a ele. Será que a mesma possibilidade quântica sobre a percepção da realidade se aplicaria num nível mais profundo, tratando do sobrenatural?

Não sei.

É só um livro.

Mas vale a pena pensar, não é não?

publicado por Felipe Lacerda às 15:09

Alto, loiro, sarcástco, finamente irônico, ator, escritor, ano 87, à alcool, sére luxo, estofado de couro, rodas de liga leve, direção hidráulica...
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