Felipe Lacerda - o escritor que diz Ni

Novembro 28 2009

Detalhe pouco explorado por mim e pouco sabido por muitos, mas quem me conhece bem sabe que tenho uma inclinação ao tribalismo. Uma verdadeira admiração por conceitos tribais e religiões pagãs. Adoro mesmo. Principalmente as africanas. É, sou chegado numa macumbinha, bater um tambor de ve em quando. Não, não pratico a religião nem costumo fazer ritual em encruzilhadas. Acho pouco eficaz. Mas o fato é que gosto e muito do som dos tambores, da energia dos ritos, etc. Aliás, fui visitar um recenbtemente à convite de uma amiga. Ela me disse que "terreiro bom é terreiro longe". Esse deve ser o melhor da galáxia, o desgraçado era longe pra burro.

MAs tem coisas em todas as religiões que acho engraçado. E uma particularidade do culto africano que acho interessante é o Culto à Iemanjá. Aquele ritual de oferenda no mar é... particularmente...estranhíssimo.

Quero dizer... nada contra. Só acho meio ridículo. Assim como acho ridículo o batizado católico ou o exorcismo protestante. Sei que falar dos protestantes já me rendeu um belo dum processo que custei a me esquivar, mas é mesmo ridículo, fala sério.

Enfim, vamos nos ater à Rainha do Mar.

É sério. Primeiro tem a oferenda em si, aquela coisa de comprar um monte de badulaques inúteis: Pó de arroz tosco e sem marca, umas flores de plástico, espelhinho de bolsa, umas pulseirinhas horrendas, aquelas maquiagens em forma de moranguinho. Parece que Iemanjá é uma pré-adolescente que está indo comprar o primeiro sutien.

Meu... se eu fosse Iemanjá, com o poder que ela tem... e tu me dá um presentinho escroto desse... eu DESTRUO a sua vida.

De qualquer modo, tu pega todas aquelas porcarias de 1,99 e enfia tudo num barquinho. Fica parecendo que vai servir um sushi. Se bem que servir sushi pra Iemanjá é até sacanagem. É como se eu sequestrasse você e mandasse a orelha pra sua mãe.

ISso nem é o pior. O mais "engraçado" é na hora da oferenda em si. Reveillon em Copacabana. Todo mundo que nem sabe onde fica a África veste-se de branco e acha que virou Umbandista de carteirinha. Nasceu num terreiro. Daí vê-se aquela cena dantesca dos barquinhos indo juntos, como uma maratona à vela, um competindo com o outro. De canoa de palha a transatlântico em miniatura.

E tem aquela coisa, né? Se o barquinho afundar é porque Iemanjá aceitou a oferenda. Se ele seguir boiando é porque ela está pensando no assunto, avaliando custo-benefício, calculando impostos, etc.

Porém, o pior de tudo é quando o desgracendo do barco VOLTA pra praia, porque isso significa que ela NÃO ACEITOU O PRESENTE....

Como assim, cara? Aí tu me dá um presente, eu lhe devolvo o presente e falo: Pô, fulano...toma de volta, é que... eu num gostei.

Será que uma divindade ancestral não sabe que a pessoa NAO PODE ter esse nível de sinceridade na vida?

Dá vontade de fazer o tal barquinho, amarrar uma nota de cinquenta e escrever um bilhetinho assim:

"COMPRE O QUE A SENHORA QUISER".

publicado por Felipe Lacerda às 14:56

Alto, loiro, sarcástco, finamente irônico, ator, escritor, ano 87, à alcool, sére luxo, estofado de couro, rodas de liga leve, direção hidráulica...
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