Felipe Lacerda - o escritor que diz Ni

Novembro 28 2009

É isso mesmo. Non Dormit Diabolus. Baseado nesse tosco latim de quinta série (qual quinta série ensina latim?) Essa frase eu arranquei da Lua Vem Da Ásia, era o subtírulo de um capítulo ou assim. Mas não importa. Hoje estou de volta depois de um certo recesso, muito proveitoso, no qual eu reorganizei noventa porcento de minha vida. Esse fim de semana, tomando mais um porre de Coca-cola, me tranquei num estúdio improvisado com algumas das pessoas que mais valem a pena em Divinópolis. No total éramos numa sala dois por talvez três metros, cinco pessoas, dois notebooks, dois fones, dois microfones, um violão, um teclado e pilhas de materias de cozinha, caixas, livros e algumas revistas educativas.  Tudo isso porque o Franco Nascimento, aquele galináceo fatalista, resolveu gravar uma música com Paulo mendonça, o contador escritor e capitalista supremo que antes disso tudo era um belo de um tecladista.

Eu fui convocado a arranhar o vocal. Pelo colarinho. Foi mais uma intimação.

Estavam lá ainda, espremidos entre caixas e livros, o guitarrista programador ex-borboleta Mecânica Daniel Wanelle e a garota tantão... er....quer dizer... a Fran.

Fora o fato óbvio do calor insuportável onde tivemos que segurar o Daniel para que ele não ficasse de cuecas, tudo correu relativamente bem.

Mas não era disso que queria falar. Só contei essa histórinha porque ontem foi o dia em que me libertei da merda que estava me metendo.

Vejam bem: Estava entrando numa armadilha auto-impots de autocomiseração. O famoso ter pena de si mesmo. Entrei nessa por uma série de agravantes recentes, algumas frustrações profissionais e pessoais, desilusões amorosas com namoros que terminaram há meses (só eu consigo isso) algumas críticas ferrenhas e destrutivas feitas por pessoas que não posso interpretar o ato senão como traição.

Então, o loiro aqui, que nunca foi muito de se dar por vencido, estava se entregando ao inimigo, caindo em frangalhos pelas elucubrações maliciosas de certos alguéns. Como disse os amigos próximos, eu estava ficando letárgico. Segundo Franco, "com um leg de 3 segundos sempre que precisava de uma reação ou resposta". Coisa de programador, vai entender. Sábado foi o apogeu dessa latência, eu estava literalmente me sentindo dopado. De certo a única coisa realmente edificante que me aconteceu recentemnete foi haver conhecido a Jay. Mas a Jay é outra história. A malldita Divina Folia não ajudou nada nesse processo. Ver aquele moonte de imbecis se aglomerando onde quer que eu fosse no centro da cidade estava fazendo meu estômago revirar-se. Poetizações à parte, o veneno estava começando a se tornar ralo, quase inofensivo, em minhas veias. Minha mana estava fraca.

Ah, isso não poderia acontecer! Não comigo! Eu aprendi com o melhor e ensinei os melhores! Não era hora de me entregar ainda! NUNCA! JAMAIS!

(...) 

 

 

Na verdade, na noite daquele sábado, Paulo Mendonça me pega pela gola da camisa e faz cara de mal, ameaçando me usar de aríete se não contasse que merda estava acontecendo comigo. Sério, ele veio todo amedrontador, que nem aqueles Bad Boys arrepiados com a mão enfiada nos bolsos (kkk! procurem ouvir o 'causo do lambisome' é hilário!!!).

Não tive escolha. Amigos são argumentadores natos. Tive que abrir o jogo com o cara. E fui falando, falando, contei tudinho o que estava me mortificando. Acho que o metade do que falei o pobre coisado nem imaginava a meu respeito, e olha que nos conhecem,os há cinco anos.

Só não tinha como me ajudar. Infelizmente, esses são problemas que preciso resolver sozinho. E a maioria até está já resolvida. Mas lidar com as cicatrizes é o que exige algo de auspicioso da minha parte. 

Todavia, mesmo sem poder fazer nada prático para me ajudar, Paulo Mendonça fez o que de melhor os amigos fazem nessas horas: Ouviu pacientemente, atentamente, me ajudou a reciclar tudo, reaproveitar o útil e tranformar o resto em piada.

Na manhão seguinte acordei com o potenciômetro calibrado. Fiz uma lavagem do ruim, aproveitei as partes boas e mandei o resto para a puta que os pariu. Fiz isso com a impetulância que me cabe, a enrgia que me é característica, a irreverência que me é direito e a loucura que adquiro sempre que não quero de forma nenhuma seguir minha cabeça e dar ouvidos ao coração.

Acordei realmente vivo naquele domingo, respirando o ar do planeta, com ou sem monóxido de carbono, com ou sem poluição. Levantei e pisei o chão com força, graça, tesão e beleza.

 

Gravamos, naquele estúdio improvisado e apertado, a mais bonita canção que o Franco fez em sua vida. E essa canção, espero poder um dia regravar junto com as minhas. É uma música meio trsite que se chama "suicídio", mas não fala de morte exatamente. Fala de carregar algo grande e pesado demais. 

E é exatamente assim que eu me sinto.

Por isso, como disse um cara que ainda me faz pensar,

"...não preciso de modelos, não preciso de heróis... eu tenho meus amigos e quando a vida dói.... eu tento me concentrar num caminho fácil". 

 

 

 

publicado por Felipe Lacerda às 14:55

"quebrar, quebrar, quebrar
o braço da história a religar eventos
quebrar, quebrar, quebrar
a longa perna do sonho a transitar os mitos
quebrar, quebrar, quebrar
o contorno da eternidade a desvelar o trágico
como a fonte maior do que é a beleza
do coração a achar-se, inteligência sitiada
pelo uivo rouco do mistério e dos ocasos
quebrar, quebrar, quebrar
a linguagem, o poema, a indignação
a lógica, o logos, a perseverança
na esperança
e no seu reverso de ódios erguidos como o trigo
e em tudo mais que possibilita ao homem
reunir
os cacos da vida
em vitrais que falam.
Essa, a palavra de ordem."

Asfalte o caminho do futuro com os cacos dos críticos.
Você merece.
cochise a 28 de Novembro de 2009 às 23:52

Alto, loiro, sarcástco, finamente irônico, ator, escritor, ano 87, à alcool, sére luxo, estofado de couro, rodas de liga leve, direção hidráulica...
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