Felipe Lacerda - o escritor que diz Ni

Outubro 23 2009

ASSUNTO #1: De todas as traquinagens, essa foi a mais perversa. Castraram meu tempo. Ando limitado agora, de rédeas curtíissimas. Quem sabe num próximo recanto eu vá gozar de mais autonomia. Mas tudo bem, por ora. A questão é que para não declarar falência completa,. precisei aceitar um emprego... irrisório... atrás de um balcão servindo sanduíches e sucos de laranja. Não perguntem o que houve com o emprego anterior que eu não vou responder. Até se completarem o ciclo de negociações que ando metido, terei que ficar por lá aliementando clientes mau humorados. Mas faço bons contatos, acrescenta-se a minha lista de expectativas. As pessoas que passam um tempo a mais na prosa me perguntam o que faço ali. Não sei o que responder. Proveitosos são os contatos a mais, novas personalidades. Trabalhar num local elitista tem lá suas vantagens. Porém, o lado ruim (sempre ele) é o crescente ódio pela raça humana cotidiana. Chamo assim qualquer pessoa com diieta à base de capim. Puxa, como esses me irritam. Dá vergonha de ter um córtex desenvolvido, sério.

Mas esquece isso. Detesto falar de trabalho, então quando as coisas se acertarem eu dou outro "espalha"  por aqui.

 

ASSUNTO #2: Camisa de botão, gravata apertada no pescoço. É assim que vejo a literatura divinopolitana. Todo mundo de terno e português afinado, pra não dizer refinado. Pendante, o que não é pensante, só irritante. Me chamaram para aquela festinha da masturbação intelectual promovida por aquele nosso velho amigo, o inimigo number one das questões relevantes. Declinei ao convite, justificando-me pela ausência de tempo livre ou indisposição gástrica. Tomar vinho importado ao som de música erudita discutindo filosofia alemã e puxa-saquismos políticos faz meu estômago requebrar até o chão. NIetzche era só mais um macaco. Chopin também. E vinho importado... não, pelo vinho eu até iria. Mas não vale o preço de ouvir mais uma vez as críticas massivas sobre o novo cenário literário mundial, cheio de anarquia. Eles estão velhos. E eu sou irreversivelmente jovem demais pra isso, apesar das preocupações e obrigações adultas.

Mas se, como da última vez, ataco com minha verborragia deslavada e com muito poucas vírgulas ou aspas, me emcaminham mais uma vez para a cruz. Exposto em festa privada como um espantalho ou judas para assustar criancinhas. A alta classe intelectual da cidade dizendo aos filhos:

"_Vejam, não é assim que um escritor se comporta. Um escritor deve ser uma pessoa séria, engravatada e ter um altar para Machado de Assis na sala de estar. Não seja assim quando crescer".

 E a criança, protótipo de escritor, ascente adestrada, vendo no empalhado eu o que ela não deve ser de forma nenhuma.

Ser filho de escritor deve ser uma bosta. Ter que ler gibi escondido. Nunca poder assistir Shreck, só as comédias cult francesas de  Josiane Balasko. Aprender a ler lendo Erico Veríssimo.  Particpar de festinhas intelectuais onde não se pode discutir as questões filosóficas mais ocultas pertinentes à saborosa, porém indigesta, alma feminina. Ou seja, falar de mulher. Nem de nada que seja realmente digno de uma boa conversa. Nesse ponto tenho saudade do Cochise e sua insistente catequisação sobre autofagia.

 

Ainda bem, caros amigos, que meu pai é pedreiro.

Assim posso dizer que sou escritor por empenho próprio.

publicado por Felipe Lacerda às 12:51

você não tem é coragem nem brio para se aprofundar no que vale a pena.

critica chopin e gênios por impotência, seu falso anti-falso.
conhecido a 23 de Outubro de 2009 às 22:43

e você é escritor??????

escrever o que já é seu é fácil. quero ver se consegue ter dois tempos. o seu e o do mundo.

seu mundo é pobre, pequeno e cansativo, blogueiro-diarista de merda.
desconhecido a 25 de Outubro de 2009 às 17:07

Alto, loiro, sarcástco, finamente irônico, ator, escritor, ano 87, à alcool, sére luxo, estofado de couro, rodas de liga leve, direção hidráulica...
O Autor
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