Felipe Lacerda - o escritor que diz Ni

Setembro 14 2009

Acontece com todo mundo. Um dia você acorda meio dawn, com o coração batendo lerdo. Se a vida fosse justa, dias assim seriam dias de folga. Mas a vida não é justa e quando não se tem pressa, a tarde fica parecendo tédio. E não ter festa dá a impressão que o mundo ficou sério.

O dia atravessou a janela ainda com mais preguiça que eu. Pouco provável que o mundo valorize meus esforços em não fazer nada. Fechei os olhos e mentalizei o nada. Mas tá complicado. Excluir tudo dá trabalho. Por isso me concentro em brechas da existência.

Dá medo ser assim.

Na verdade, como diz a guria doida dos containers, "sempre haverão duendes cor de rosa".

Concordo e discordo, mas ainda quero pintar meu quarto de roxo pecado e azul poesia. Escrever na areia um poema efêmero. Entendeer por B mais C que o amor é um tipo de poesia sem rima e sexo é só pornografia.

Humm...saudades dos tempos mais simples. Hoje eu vou me levantar e me colocar na janela. Acender um cigarro e marcar um desenho nas nuvens. cortar as nuvens com o pnesamento é coisa de de Paulo Coelho. E não há nada que eu deteste mais que misticismo barato.

Entrementes, o duende saltou do canteirinho para o vaso de flores de plástico no meu jardim high-tech. Preciso de duendecidas de novo.

 

Ah... se eu pudesse dar apenas um conselho sobre "morar sozinho", esse conselho começaria assim:

Uma das primeiras coisas que você vai descobrir é que solidão não tem cura.

Mas como não sou dado a aconselhamentos, vou abster-me na resoluta posição de sôfrego ator, encenando a mim mesmo nessa patética montagem de algum delírio shakeasperiano.  E quem disse que existe algo mais perigoso que um homem sozinho?

Na verdade há sim. E eu diria que o que mais me mete medo nessa vida são homens de coração leviano, mulheres inteligentes e baratas voadoras  (manicures de salões de Beleza e Operadoras de Telemarketing também, mas isso já é outro tipo de trauma).

Quanto à vida, nos resta divagar. É o que eu digo. Divagar e sempre. No fim, o mocinho fica com a mocinha sem sal da novela das oito, o vilão se ferra nos filmes de verão e o sol cíclicamente vacila em retílineas curvas. O caminho que nos leva ao entendimento é cheio de pedras, areia, sabão neutro e testemunhas de Jeová. Sexo na praia é o melhor remédio contra o cheiro de peixe que nos sobe às narinas. 

E contra tudo e contra todos, ainda acho que bacon fica bom com qualquer coisa. Assim como certas cores de olhos. Amendoados e cheios de pecado, o homem que contemplava seus olhos sentiu-se tão criança que quis colo.

E ela deu mais um gole no sunday de alpiste.

Raras, raríssimas são as pessoas que me detêem num gesto e na contração de uma retina. Mais singulares ainda são os meus pensamentos a respeito disso. E mais uma vez, na janela e fumando, olhando feio para um duende, penso mais uma vez no quanto nosso rídiculo é eterno e em certas impossibilidades que me deprimem.

Não, não. Não me deprimem de verdade. Eu é que sou um bom ator e adoro recitar To Be or Not To Be para minhas plantinhas de plástico. Não estou atolado de verdade. Só me afundei um pouquinho nesse sensação gostosa de ter borboletas no estômago. E tenho uma semi-queda por textos surrealistas.

O café ferveu lá atrás. Sentir aquele cheirinho de grão moído. Um orgasmo ollfativo. Uma trasncedencia degustativa, uma...

Que barulho foi esse?

Corro para a janela. Um estrondo enorme como se uma baleia despencasse do céu.

Mas não era uma baleia.

Era um enorme e vermelho, um metálico container.

E vi, extasiado e num deja vu esquisito, centenas de containers despancando do céu, numa chuvinha de verão (apesar de estarmos ainda oficialmente no inverno, não é?)

Mas foi assim, uma cena de encher os olhos.

Em todos os cantos, em todos os lugares, oriundos das nuvens que parti,

milhões de enormes containers choviam.

publicado por Felipe Lacerda às 18:24

Eu também me amarro em textos surrealistas e acho legal que este estilo esteja em alta. Vá em frente, new Ginberg hehe
Bj!
Daisy a 14 de Setembro de 2009 às 22:06

Dawn com A é madrugada.
Down com O é baixo.

Correções à parte, choviam contâneirs.
Você tem medo de homens de coração leviano. Você tem medo de si mesmo?

É algo que eu sempre me pergunto...
Bárbara a 15 de Setembro de 2009 às 00:11

Alto, loiro, sarcástco, finamente irônico, ator, escritor, ano 87, à alcool, sére luxo, estofado de couro, rodas de liga leve, direção hidráulica...
O Autor
comentários recentes
Muito bom o seu post. A poesia é alog que sempre v...
Na boa cara, muito pomposo este seu artigo, mas v...
Adoro este blog e já o leio à alguns dias a acompa...
Eu não sei quem sou e você sabe quem é? E se não s...
"A poesia é a música da alma, e, sobretudo, de alm...
deve se orgulha sim você é o OVULOZORD Da turma a ...
Como vc num deu nome aos bois, vou concluir que fo...
Como estabelecido entre o conselho nobre... aqui e...
Aquela do "rédeleibou ou aici" é pior... Vai por m...
http://poecinzas.blogspot.com/2009/09/uma-carta-pa...
pesquisar