Felipe Lacerda - o escritor que diz Ni

Setembro 09 2009

Estamos pobres. Pobres por dentro, eu acho. Nossa miséria é espiritual. Nosso espírito é de porco, não é santo. Temos uma noção, pela Igreja Católica, que temos um pecado original, mas digo mais: Temos um RIDÍCULO ooriginal. Essa nossa cara de quem vai tropeççar a qualquer momento na frente da namorada. E esse nosso rídiculo é eterno. Não nos deixa nunca. Ontem caí numa arrmadilha para coelhos. Aquelas com comida e uma caixa sustentanda por um galhinho. Foi fofamente trágico. O quarto dela fedia a ursinho de pelúcia.

Eu, conquistador de grosso calibre (nem tão grosso assim), e caro, senhores, muito caro que sou, fiz-me de glicosado e me abstive do comentário sacana. Mas ao sentar na cama dela, pude sentir a presença de um cadáver pink. Um Litlle Poney parece ter morrido ali.

Quantos anos ela tem?

Disse que era dezessete. O quarto dizia 15.  Achei melhor não pedir o RG. Preferi fazer o teste no carbono mesmo.

O subalterno das fênix apopléticas - EU - senti a pressão baixar quando ela abriu o guarda roupas para pegar algo feito de látex. "Eu preciso de uma camisa de força, não de vênus", penso mas não digo. Quando ela abriu o guarda roupas, entre o edredon roxo (juro que acho que vi uma estampa da Turma da Mônica!) e uma caixa decorada com papel crepon amarelo estava um diário. Um diário! Alarme! Ela tem um diário! (Pra quem não se lembra o que é um diário, é uma espécie de blog de papel que as mocinhas de antigamente usavam).

Eu já estava em pânico. Mas ela enfiou a mão na tal caixa de crepon e tirou uma camisinha.

Uma camisinha! Você, educador fascista e tirano conhecido como Pai, está dando uma faxininha no armário da filha linda do seu coração,e entre a coleção de Barbies e ursinhos de pelúcia, ao ladinho do querido diário, você encontra uma cartelinha de 3 preservativos!

Sabe, ela carregar uma camisinha tímida na bolsa é até certo sinal de responsabilidade, dá aquele orgulho de saber que sua filha pensa muito em si mesma e se preserva. Além do quê, ela pode haver ganhado essa camisinha da própria escola, que apesar dos protestos inflamados da Santa Igreja, ainda distribuem bom senso.

Mas não! São Três!

Uma pessoa que guarda três camisinhas nor armário, provavelmente tem um estoque escondido em algum lugar. Não são camisinhas tímidas, é má intenção na cara dura!

Sorrio. Apenas isso. Animais predadores sentem o cheiro do medo de suas vítimas.

Ela me abraça, me beija, me esquerteja e me inutiliza.

 

30 minutos depois estou desesperado atrás de oxigênio e nicotina. Ela atrasa meu descanso por mais alguns minutos. Poderia dizer que por mais meia hora, mas qualquer homem que ler isso vai desbaratinar meu blefe. Então vou ser sincero. Foram mais DEZ minutos só. Clemência. Anistia. Alforria. CIGARRO!!!

Mas o desespero maior é o medo de me levantar. Tipo assim, estava ela, sorrindo agarradinha em mim, suspirando baixinho. Aquela carinha de anjo domesticado, parece que eu acabei de transar com uma Smurfete. 

 

_Herr... (nome omitido para preservar a integridade física e judicial do autor) ... você se importaria se eu...

_...Fumasse? Que bom, cê pode me dar um?

Ou Deus está cochilando lá encima ou deve ser uma pegadinha. Tem câmera escondida aqui? minha bunda vai aparecer no Youtube?

Procuro pela calça, procuro pelo bolso da calça, puxo o maço de cigarros. Ela puxa um dos Hollywoods pra si e o acende com o meu isqueiro, antes mesmo que eu fizesse isso. Dá uma tragada profunda e sopra a fumaça pra cima, profissionalmente.

_Ai que medo de você - digo, totalmente sem querer dizer aquilo.

_He. Achou que eu fosse uma garotinha, né?

_E você não é?

Estamos os dois olhando para o teto e fumando.

_Não exatamente - responde, puxando a roupa dela (que ela incrivelmente sabia onde havia jogado! Mulheres são máquinas!).

Me estendeu um documento.

_Eu menti pra você, eu não tenho 17 anos.

Meu coração acelera, meu pulso quase arrebenta as veias e o quarto roda. Firmo a vista no dcumento.

_Eu tenho 19.

Derreto. Quase um orgasmo, de novo. Imoralidade e hipocrisia minha pensar nisso agora, e procurar saber a idade exata da guria depois do crime cometido. Mas ainda assim eu não consigo descrever a sensação que foi saber que ela já era maior de idade, apesar da cara de ninfeta e da aldeia dos Smurfs em que vive.

_Então você...

_Tenho 19 anos.

_Ufa.

_"Ufa" o quê? Não é a fantasia de todo homem levar uma ninfetinha para a cama? - (a frase que ela usou na realidade foi outra, mas vou reescrevê-la aqui nesse copydesk porque o conteúdo original é impublicável na boca de uma barbie, além de possivelmente me arranjar belos problemas e mau entendidos com a polícia).

Depois disso voltei pra casa meio pensativo. Era tarde da noite. Algo fervia dentro de mim. A fumaça me seguia pela calçada acidentada da Rua Minas Gerais.

Como sou estúpido e idiota. Como pude cair numa armadilha tão bestial? Como assim sou tão RIDICULO?

 

MINI FLASHBACK EXPLICATIVO: Ontem à noite ela esbarrou em mim na biblioteca. Perguntou se eu lembrava dela, fulana de tal, oficina de teatro do Dona Antônia. Lembrava eu, vagamente, como vagamente me lembro de algumas coisas. Mas ela, aparentemente tão novinha e tão bonita, não ia levar uma cantada de um marmanjão feito eu, né? Tentei esquivar da conversa. Mas ela me cantou. Olhou bem em meus olhos e perguntou, no meio de uma conversa que não vem ao caso, se eu concordava com a frase da blusa dela.

Uma blusinha preta, de malha, coladinha no corpinho juvenil. Como um queijo numa ratoeira. Disse que concordava em partes. Ela disse que também, já que uma "criança" de dezessete anos já sabe muito bem o que seu corpo sente quando vê alguém que gosta.

_É, eu acho mais ou menos isso. Quantos anos você tem?

_17.

 

O que estava escrito na camisa dela?

"Todos contra a pedofilia"

 

publicado por Felipe Lacerda às 14:47

Então, Felipe
tenho um protesto a fazer, eu tenho 28 anos e ainda escrevo diarios, 1 por ano tá... rsrs

Você como sempre com suas histórias engraçadas!!!

beiiiiiiiiiiiijo
Imcompreendida a 10 de Setembro de 2009 às 00:55

Alto, loiro, sarcástco, finamente irônico, ator, escritor, ano 87, à alcool, sére luxo, estofado de couro, rodas de liga leve, direção hidráulica...
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