Felipe Lacerda - o escritor que diz Ni

Agosto 06 2009

Crônica do Amor (ou a suposição do mesmo)

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem. Se fosse assim os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta. As pessoas amam outras por razões além da lógica aplicada nas preferências pessoais. O Amor, esse sentimento complicadinho demais, não é chegado a fazer contas. Se parece comigo nesse ponto. Detesta obedecer à razão. O verdadeiro amor, aquele dos filmes românticos demodê, acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar ou afinidades metafísicas.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Lenine. Isso são só referenciais que ajudam, no meu caso. Minhas exigências para com o sexo oposto são bem mais complexas que isso aí. Ninguém vê uma garota com uma camisa do Nirvana e pensa: "Ela é a mulher da minha vida!".
Acho que se ama pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá... Ou pelo tormento que provoca. Nada me apaixona mais que ama mullher com a habilidade sobrenatural de me tirar do sério.
Ama-se mais ainda pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera. Ou quantas costelas se partem num abraço de urso.
Aí você começa a observar fatores determinantes nos seus planos para o fim de semana: Você ama aquela petulante agora. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, aquela vaca, e você deu mais flores para ela que o velório do Michael Jackson.
Nesse ponto, as minúcias se mostram determinnantes para o sucesso ou o fracasso daquela nova empreitada emocional: Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam.
Porém, ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você.

Isso tem nome. Sim, respire fundo e admita:
Você ama aquela mau-caráter. Ela diz que vai e não lhe pergunta se você se importa. Isso é normal, feministas do mundo e emanciapadas em geral fazem caras como você e eu parecermos uns belos bananas. 

Nocaso de vocês meninas: Ela veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a
menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você gosta do gostinho daquele sapo. Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca alguma coisa idiota no violão, como o tema do Titanic. Adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?
Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, seja lá quem for esse cara.  Mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.E ele acha o melhor filme do mundo foi Transformers. Você é bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Você é uma mulher independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu Fettucine ao Pesto é imbatível. Tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo.

Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa velha raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: Eu lindo + você inteligente = dois apaixonados.
Mas, irônica que a vida é, não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Não precisa de aprovação de crédito nem comprovante de endereço. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível, de insondável, de imprevisível (e por que não?) de assustador.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó! Banana nasce é em cacho!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa. Então pede, pede sim, pede com jeitinho. Pedir amor é dar amor. Frase clichê e até meio gay: É dando que se recebe.

Por falar nisso, você poderia, POR FAVOOOOR, aumentar dois dedos naquele vestido e fechar um pouquinho só o decote para aquela festa que vamos no sábado?

Sabe como é, não quero correr riscos. É que nem dar bandeira com celular novo, sabe. 

E amor hoje, linda, tá RARO.

 

* Texto parafraseado de Arnaldo Jabor, cujas alterações e deformações eu me responsabilizo e dedico à minha namorada, que escolheu um vestido lindo. O problema é que as coxas dela também.

Beijo, Kamile Dayer! Apesar da minha cara de cafajeste, eu te amo.

 

publicado por Felipe Lacerda às 18:40

Essa coisa de cheiro é mais que verdade. Já ouviu falar em ferormônios? São moléculas que carregam informações do DNA do sujeito. E, não sei se vc sabe, mas olfato nada mais é q quimiorrecepção, ou seja, moléculas. Portanto, ferormônio é cheiro. E é assim que a gnt se interessa por outras pessoas...
Bárbara a 6 de Agosto de 2009 às 21:32

PUXA VIDA, falando assim parece tão broxante. Me lembrei daquele nossa conversa no costa rangel. Você fez o sexo parecer muito mais nojento do que ele realmente é.
Mas eu te amo assim mesmo.
Brigadão.
Felipe Lacerda a 10 de Agosto de 2009 às 20:52

Alto, loiro, sarcástco, finamente irônico, ator, escritor, ano 87, à alcool, sére luxo, estofado de couro, rodas de liga leve, direção hidráulica...
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