Felipe Lacerda - o escritor que diz Ni

Julho 31 2009

Amtigamente as coisas eram mais simples. No site da FUNEDI sai um depoimento meu sobre produção cultural e midiática, catando pra briga um punhado de compatriotas. E deu no que deu, choveu granizo no meu e-mail, não faltaram pedradas na rua. Desde os tempos idos do OUTDOOR (o programa de TV que produzi em em tempo record, durou cinco edições) a galera acostumou a me ver como o grande mártir defensor da mídia independente. E continuo na defesa, mas de uns tempos pra cá, tipo uns doze meses, eu ando crescendo às vistas de muitos, artisticamente, sobretudo na enfadonha mídia local. E a galera caiu em peso, me acusando, redundantemente, de TRAIÇÃO DO MOVIMENTO. Tudo por que eu disse lá na tal entrevista, que queria sim ganhar dinheiro e ficar rico com arte.

Porra, e quem não quer?

 

Antigamente, as disputas eram mais obvias. Tinham, geralmente, dois lados. Hoje tem quatorze milhões de tendências, milhares de movimentos e subfacções. Chamaram minha assumida autofagia de pós-modernismo, pintando de cinza minha paixão por pedaços meus. Gente boa da elite intelectual e artística dessa aclamada cidade, tenha a santa piedade do pobre traidor aqui. O intelectualismo não basta, é preciso pagar as contas que não são poucas nem piedosas.

Já cansei de defender aqui mesmo minha postura favorável à arte sempre, em qualquer forma ou conteúdo. O que eles (os independentes) não compreenderam bem foi que a minha defesa é pela ARTE e não apenas pela ARTE INDEPENDENTE. Quer dizer Chico Buarque deixa de ser um bom compositor só por que é um compositor elitizado? Sim, ele é elitizado! E foi apenas ISSO o que fiz!

Nunca tive nem meia intensão de ser a vertente máxima e despontada de um movimento partidário de revolução conceitual. A concepção da arte pra mim é bem menos complexa que isso. É mais pagar e fazer. Se voce faz por conta própria parabens pra voce, se você faz com patrocinio parabens pra voce, se voce arreganha as pernas pro mercado parabens pra voce também.

Qual é! Líder Underground foi coisa que o Paulo Mendonça inventou pra mim, aquele canalha.

Mas eu sei o porque dessa ira. Sei sim. É porque o livro vai sair poruma grande editora, não é?

Gente, gente. Vamos filtrar isso aí. O que é a desconfiguração da arte? Pensem nisso, por favor. O que descaracteriza a arte é forma ou o conteúdo?

Se meu livro sai numa editora ou se eu finacio a gráfica, não é o conteúdo que importa? Se meu livro é uma bosta ou uma dádiva, não continuará sendo não importando o trabalho de capa?

 

 

publicado por Felipe Lacerda às 20:59

Alto, loiro, sarcástco, finamente irônico, ator, escritor, ano 87, à alcool, sére luxo, estofado de couro, rodas de liga leve, direção hidráulica...
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