Felipe Lacerda - o escritor que diz Ni

Julho 16 2009

 

Quanto tempo se passou? Dez horas? Um segundo? 3250 anos?
 
Meu Nome é Duam Mutef, este é o verdadeiro, tenho 30 anos e sou assassino.
           
Soldados não pensam por si, e eu sou um soldado. Não sou eu quem deve questionar as ordens do “Controle”... Um Assassino, nascido assassino.
Matei minha mãe no parto e de desgosto meu pai se matou.
Não me lembro bem da instituição que chamam de orfanato, mas pelo gosto amargo na lingua que sinto toda vez que penso nisso, acho que não gostava muito de lá.
Deve ser por isso que fugi.
Para morar nas ruas, e assim descobrir a vida do mundo cruel. Acho que fui preso mais de vinte vezes: Roubo, tráfico...
Nada idealizado por mim, é claro. Como já disse, sou um soldado. Perito em cumprir ordens, e assim, executando mais um trabalho para alguém que mal conheço... Foi minha primeira vez... Eu matei um traficante rival de alguém que me pagou bem para usar uma 9mm com silenciador e não deixar marcas no carpete do Motel barato que o traficante em questão usava para levar suas putas de treze anos... Elas tambem morreram. Eram duas e não me lembro de seus rostos.
Ainda hoje me lembro da sensação estranha que se instalou em mim naquela madrugada. Poder, medo... Tudo junto. Mas eu não estava lá para sentir, estava lá para puxar um pequeno mecanismo que soltaria uma esfera de chumbo na cabeça do individuo, este que eu jamais soube ao menos como se chamava.
Quinze vezes depois, essa sensação sumiu como mágica. E tudo se tornou mais fácil desde então.
Até que a agencia soube de meu trabalho.   
Fui contratado por uma agência de queima de arquivos. Trabalho terceirizado, não importa o contratante. Aliás, não me importa nem mesmo quem seja o alvo. Nem se tinha família. Eu não sou pago para ter crise de moralidade.
Isso que eu faço não é uma arte, como muitos dos meus “Colegas de trabalho” dizem, não há nem prazer nisso. É um trabalho, simples e sujo como todo trabalho é, eu não penso no que estou fazendo e isso tem me rendido muito dinheiro. Já soube pela TV que matei uma vez um importante ditador de um País que ninguém sabe onde fica, nem o repórter...
            Nunca falhei, nunca questionei...
 
            Onde todos os elementos se fundem em um
            E memórias odiosas perecem junto com você
            Pode ter visto o presságio, o espelho
            Realidade da morte...
           
Agora meu novo trabalho é me fazer de cozinheiro e matar um Vizir de um País cheio de petróleo limpo, destes Árabes... Me lembra minha terra natal. Sol e areia, o Egito também é assim...
Mas eu não sou pago para lembrar quem sou eu.
           
            Implore, sua trenodia será ouvida
            Por tuas mentes sufocadas
            O som tortuoso como vozes de anjos
            A fobia, na procura por sangue ancestral
publicado por Felipe Lacerda às 18:09

Algumas pessoas tem o dom de escrever. outras de mais fina estirpe transformam sensações em palavras.
Cochise a 7 de Agosto de 2009 às 03:14

Alto, loiro, sarcástco, finamente irônico, ator, escritor, ano 87, à alcool, sére luxo, estofado de couro, rodas de liga leve, direção hidráulica...
O Autor
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