Felipe Lacerda - o escritor que diz Ni

Maio 27 2009

 

Bom! "Por entre suas pernas" já começa a prender o leitor a partir das suas citações, Lacerda começa com O Cordel do Fogo Encantado para terminar com Cazuza lá na dedicatória, passando brilhantemente por Augusto dos Anjos e por Sartre, numa bem escolhida frase, que eu adoro e concordo: "O inferno são os outros". A referência ao Deus grego Dionísio dá o tom que vai se seguir em todo o livro, num caminho sensual "por entre suas pernas".
 
Felipe peca um pouco na mudança da linguagem de terceira pessoa para a primeira sem uma indicação prévia, o que deixa um texto um pouco confuso, o que não chega a atrapalhar a leitura visto que o enredo é atraente.
 
Não consegui parar de ler antes que tivesse acabado, a história realmente me prendeu. Quando li o título achei que falaria mais da condição da mulher tendendo a um texto machista, mas surpreendentemente, Felipe tem a coragem de expor o medo e a fragilidade do homem numa hora bem delicada após o sexo sem amor.
 
Confesso que esperava um pouco mais de cuidado na descrição sensual, sem chegar a pornografia é claro, mais que daria certo sabor picante ao texto, aliviando o sabor acre das questões existenciais que traz, mas ao continuar a leitura percebi que não era essa a intenção do autor.
 
À medida que fui lendo fui refletindo sobre meus próprios conceitos sobre fidelidade e traição e motivos etc., sempre tão rígidos, tão radicais, mas frágeis a qualquer reflexão mais apurada do tipo: "o que é verdadeiro e o que é convenção?", "o que vale mais o natural ou o social/artificial?".
 
O Felipe fala do amor de uma maneira poética que atinge o leitor como "um indizível que prefiro não comentar" sentimento de admiração. A forma como ele repete a frase "por entre suas pernas" e suas variantes é repetida nos remete a todo momento ao título do livro, como ele quisesse o tempo todo nos lembrar da sua intenção com o livro. Além disso, ele usa citações de músicas, coisas que eu gosto muito e também utilizo.
 
Bom, nessa trama de amor, paixão, desejo, conflitos e questões morais é Felipe Lacerda quem nos seduz no prazeroso caminho por entre suas palavras. Enfim, um livro que vale a pena ser lido e pensado: "Afinal, qual é a medida do seu Amor?"
 
O final, que segundo o autor "...é um final romântico idiota, mas acho que a vida real é assim...", é esperado, mas liiiindo... romântico que agrada a "eternos mendigos sentimentais", como Eu.
 
 
Fátima Ferreira. Salvador, 20 de abril de 2009.
publicado por Felipe Lacerda às 05:28

Alto, loiro, sarcástco, finamente irônico, ator, escritor, ano 87, à alcool, sére luxo, estofado de couro, rodas de liga leve, direção hidráulica...
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