Felipe Lacerda - o escritor que diz Ni

Abril 03 2009

Quero um sorriso amarelo, desses de gente verossímil, sem qualquer romantização literária ou utopia sentimental. Quero só um beijo de manhã, um carinho á noite, quem sabe um sorriso na hora do almoço (ao me ver desajeitadamente tentar engolir um pedaço de carne sem usar as mãos).

Não quero um amor poético, profético, épico nem profundo. Quero só o sabor do eu te amo dito sem testemunhas, quero a cumplicidade criminosa de certos delitos praticados à dois.

Sem câmeras por perto ou holofotes iluministas. Quero mais, quero a paz que voce me prometeu. Posso até voltar atrás se voltar atrás assim como eu.

Queria alguém pra cuidar de mim, fazer de conta que eu sou um cara legal, me vigiar enquanto durmo tranquilo no sofá da sala. Quero alguém que me queira como herói de capa espada, mesmo sabendo que todo príncipe é um sapo e minhas raízes anfíbias são ainda mais proeminentes que a média ocridade dos loiros altos.

Não seria pedir de mais um alguém que me dê um apelido carinhoso ridículo, um diminutivo qualquer que me arranque sorrisos ao olhar pra ma foto tres por quatro na carteira.

Quero só alguém que não queira ser eterno, nem queira o impossível, nem pretenda movera  órbita irrefreável dos astrs com a ponta do cigarro. Se é pra ser mais honesto, quero alguém que saiba olhar para as estrelas e ficar abraçadinho, não se importando se os deuses eram astronautas.

Alguém que ria comigo, que chore comigo, que me estapeia a face toda vez que as idiotices incoerentes mostrarem o rabo (ou a língua). Alguém que não queira gastar meus dólares, que queira ganhar os próprios. Até porque não tenho dólares ainda.

A pessoa não precisa ser nem de longe perfeita. Pra quê? Pra evidenciar como um tumor todos os meus defeitos?

Quero antes disso luém que valha cada sorriso e cada choro deslambido, falso e exagerado.

Precisa ser bonita sim, isso é muito imprtante. Quem acha que a beleza não é importante só pode ser feio. Ma entendam, pelo amor de Deus, que bonito é o que eu acho bonito. E só. Não precisa ser loura os olhos azuis. Tem horas em que o que faz minha cabeça é um par de olhos e um pôr de sol. Todos os estereótipos ficam ótimos no cinema, mas já não levo mais o personagem para a cama desde o último desastre sentimental, que doeu pra burro.

Sou um péssimo ator, se peça for pessoal demais pra mim. Misturo o que sou com o que estou fingindo ser.

Quero acima de qualquer suspeita um alguém que me escreva bilhetinhos e os deixe pendurados no espelho porque sabe bem que antes de escovar os dentes sempre dou um olhada em narcisismos. A pesoa que procuro nem precisa me achar bonito. Isso eu já acho. Basta que me queira apresentar aos amigos, e continue me querendo por perto quando os amigos forem pra casa.

Precisa entender que sou estranho e sádico às vezes, que pareço esperto demais mas não sou, que amo em francês, xingo em espanhol e só peço perdão em italiano.

 

As interessadas, favor deixar recado na Alameda dos Anjos Caídos, esquina com Paris, ali pertinho do bar do gaúcho, onde tem o melhor pão moiado da cidade.

Ali, pertinho do Abismo Caótico, rua Iluminista, número 0,6 - apartamento dois.

Pergunte ao porteiro se é ali que mora o poeta etílico que se absteve do álcool, senhor das moscas mortas e das retóricas sem sentido.

 

Deixe o recado por baixo da porta. Entrarei em contato assim que curar essa ressaca.

 

PS: meus dedos estão sofrendo de Parkinsson,

e eu num tô nem aí se é assim que se escreve.

publicado por Felipe Lacerda às 16:17

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