Felipe Lacerda - o escritor que diz Ni

Março 26 2009

O gesto vigoroso do braço e a padrinha vai quicando pela água. Técnica milenar que aprendi com meu pai, exímio atirador de pedrinhas. O lago estava calmo e chato, como todo lago que se preze. Um lago é um epicentro de tédio e chateação, é bom só com namorado ou namorada. Um lago serve só de cenário.

Mas estava eu lá, meio chateado meio feliz porque a massa crítica que quase explodiu minha existência estava se normalizando no meu peitinho resaltado de quem se empolga demais com as coisas. Se fosse mulher, diria tratar-se de justificável TPM. Mas como não sou de sangrar sem motivo aparente, vou dizer que fiquei fulo mesmo.

sabadão, sol, aquele climão de soltar pipa, e eu entediado no lago.

Dá pra se entender, se forçar um cadinho. Mas nem tenho tanto doq ue reclamar:

 

Problema Um: EMPREGO. - resolvido

Problema Dois: DECEPÇÂO AMOROSA - dissolvido

Problema Três: MORADIA - também resolvido, dissolvido e causificado.

 

Então não tinha motivo para raticar a arte milenar no lago. mas o fiz porque detesto ver a água parada, flutuando folhinhas imbecis e marginalizadas da árvore mais próxima.

Não tenho mais 15 anos. Não posso mais sofrer um colapso cardíaco toda vez que uma garota me diz não, mesmo que tenha dito sim antes.

Já sei, já sei. Deve ser maio que está chegando. A euforia condensada de meu espírito talvez seja reflexo retardado do meu up-grade anual que acontece todo 19 do mês 5. Esse ano o up grade vai ser mais avassalador, vamos pular para os 2.2 e meu jesusu cristinho, como esse tempo tem corrido de 2000 pra cá.

O petróleo, ele mesmo, demora um tanto lá pra se tornar apto a mover carrinhos. Esse tempo, justamente esse tempo, é o tepo que demora uma caverna se cavar, uma estalactite se formar, uma camada de ozônio de esburacar e eu atingir a temperatura coreta da ebulição. Só isso.

Concordo com muita gente que diz que o gel estraga o cabelo e o Big Brother é uma cloaca podre de intelectualidade duvidosa. Mas até aí, a maior parte das rodas de filosofia também são e ninguém fica chamando o escritor aqui de burro, embora eu humildemente tento sê-lo, com concordânca gramatical e tudo.

Quando um bimotor cruzou o céu (olha o romantismo aí, gente! Era só um avião diota qualquer que saiu do aeroporto ali pertinho) veio em minha cachola a poderosa inteeseção sarcástica das vozinhas na minha cabeça dizendo que o sol tá lá encima e o calor tá aqui embaixo, e o português que eu falo é só o português que eu falo, não é exataente minha língua. Tem dias em que o anjinho aqui no ombro tira a tarde de folga.

O diabo do lago não se movia, eu me movia circundando-O, provocando-O, desafiando-O.

Puz não é palavrão e cu embora o seja, também não é palavra cumprida. Não há intempérie que me faça voltar pra casa antes do sol se pôr em meu bolso da jaqueta.

Por falar nisso - latia minha mente para o vazio entre minhas orelhas - meus cigarros estão acabando e o bar-buteco-ou-o-que-o-valha  mais próximo daqui fica no condado vizinho, à duas horas de carro e quatorze dias à pé. E eu que não tenho rodas, não vou à pé.

Resolvo por esperar o ônibus chegar e tentar não pensar na prova de física que me espera ainda essa semana.

 

Tô com um videogame emprestado, vendi o meu faz um tempo. Tô com uma namorada emprestada também, mas a minha eu não vendi. Eu perdi mesmo.

 

E na câmara municipal ainda dizem que a culpa do desemprego é do povo burro, desenformado e sem estudo.

 

Até é.

Mas precisavam ser tão sinceros? Ainda bem que eu sou a anomalia da regra, sempre arrumo um emprego legal> Esse então, mais legal ainda, pois me paga o salário dos assalariados padrão mas me obriga a trabalhar só meio período.

Mas divago: Falava do lago e das intempéries que estavam por vir. Aquele localzinho bucólico, aquele ar rural e aquele maledetto cheirinho de bosta de vaca. O que vim fazer aqui é confidencial, mas tem a ver com a tia dela de uma amiga que está publicando um livro. Não, não vim fazer espionagem industrial, seus maldosos.

Vim só fazer companhia. O livro é de poesia e livros de poesia GERALMENTE são um saco pendante.

ehehe. "Um saco pendante". Soou engraçado.

Mas enfim o busão chegou e tive que abandonar o lago às pressas, nem tive tempo de apreciar o fim da cópula dos patinhos.

publicado por Felipe Lacerda às 23:15

Patinho não copula na presença de humanos.
...aquesss que faz questão de detonar a cena pornográfica! kkkk.
Na verdade as patinhas se desconcentram quando um loiro bunito fica olhando demais para elas.

Bjusss!
Mariana Martins a 27 de Março de 2009 às 22:17

Alto, loiro, sarcástco, finamente irônico, ator, escritor, ano 87, à alcool, sére luxo, estofado de couro, rodas de liga leve, direção hidráulica...
O Autor
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