Felipe Lacerda - o escritor que diz Ni

Março 26 2009

Pintou meu céu de cor vadia. Como quem acha um tesouro e nao sabe onde guardar, ela sorriu ao me entregar o documento. Ela perguntou se eu era  eu e eu disse que era. Sem ressentimentos, pelo mens ela lembrou meu nome. Disse que tinha ouvido no Palco mp3 e tinha gostado. Procurou saber, Divinópolis nem é tão grande assim apesar da arrogância de certos passos largos como eu. Me entregou o documento e disse que era uma espécie de fã, embra ache essa coisa de fã-clube uma perda de tempo incalculável. Quase me apaixonei.

 

Perguntou onde poderia me encontrar para maiores explanações do caso.

Eu disse que na rua São Paulo, de meio-dia às seis, aproveita e leva o CPF pra gente fazer um cartão de crédito. Preciso pagar as putas virgens e o aluguel dia 10.

Ela sorriu de novo.

Como você conseguiu um emprego no banco (omitido por causa jurídica)? - perguntou ela.  Eu respondi apenas que Santos Dummond não sabia voar, mas queria. Isso bastou.

No dia seguinte ela apareceu lá, a tarde ardia suas 15 horas daquela quarta feira. E levou o CPF.

A proposta do cartão foi reprovada, fiquei triste. Mas ela ficou feliz em me ver, foi o que disse. Minha música estava no MP4 dela. Que bonitinho.

Quando foi embora, perguntou se o Audacioso Espetáculo era realmente tudo o que (eu) dizia ser.

Disse que era mais.

Ela pediu um autógrafo com o olhar, eu assinei um sorriso na retina dela e um beijinho imaginário no canto da boca.

 

Ficamos assim.

 

De vez enquando ela me liga, quer saber como anda a banda, como andam os livros.

Digo sempre que tudo vai bem, que estou cansado de muita coisa e animado com outras.

E de vez enquando ela me lê por aqui sem se anunciar, sem deixar comentários. Percebi isso quando começou a citar frases que escrevo.

Porém, disse que jamais daria o braço a torcer. Acredita que o melhor seria mesmo deixar-me divertir um pouco, ainda não é horas de acoleirar um anjo que é tão lindo livre.

Anjo, disse ela.

Não tenho o número de telefone, ela sempre me liga de um celular diferente a cada vez.

Mas um dia, diz ela, eu vou ter o número.

 

Certa vez ela sumiu, não me ligou mais. Fiquei preocupado, na época ainda não a conhecia pessoalmente. Cada rosto na rua era o dela. Onde foi parar a guria? - me perguntava a cada novo post. Nos comentários anônimos, nos e-mails, nada tinha o cheiro dela. Nem rastro nem sinal, nem porra nenhuma.

Daí ela me deixou um recado no orkut dizendo que eu havia errado a letra da Que País è esse? no Parque da Ilha.

Porque não veio até mim depois do show como um monte de gente fez? - perguntei.

Ela respondeu que naquele momento eu não seria só dela, seria de todos que estavam ali.

Ela sabe o que faz. Não parou mais de me ligar, tomando o cuidado de nunca repetir o número. Quando retornava aos números, diziam que não a conheciam.

Até sexta feira passada. Ela me ligou e eu, juro, estava comendo miojo na frente da TV assistindo Dr. House.

 

_Então pode ser amanhã mesmo?

_Pode. Aproveita e eleva o CPF pra gente fazer um cartão de crédito.

 

publicado por Felipe Lacerda às 22:45

Isso é um conto ou foi real??? interessante...
Imcompreendida a 15 de Abril de 2009 às 20:15

Alto, loiro, sarcástco, finamente irônico, ator, escritor, ano 87, à alcool, sére luxo, estofado de couro, rodas de liga leve, direção hidráulica...
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