Felipe Lacerda - o escritor que diz Ni

Fevereiro 17 2009

Você pode pensar mil coisas sobre mim. Claro que pode. Que sou um clichê ambulante, que não tenho personalidade, não tenho tenho originalidade, que nada que faço é meu de verdade.

MAs não pode me acusar de não ser real.

Mas é a abstração da coisa que vale a pena, e até confesso que surrelismo também é uma forma atravessada de realidade e coerência.

Desviemos: Entenda que a poesia como força de expressão (FORÇA+EXPRESSÃO= POESIA) não poderia exatamente se curvar nem se submeter, nem meter-se por completo. Seria perigoso. Uma força universal não pode ser absolutamente aproveitada se usada para fins específicos.

O Teatro Mágico é uma grande inpiração pra mim e acho que pra muita gente. E quero publicamente agradecer a "Isa" que me deixou aquele comentário espirituoso. Valeu mesmo, guria, a dica foi muito bem colocada, principalmente com o carinho especifíco com a originalidade das coisas que geralmente escrevo. Sua preocupação é pertinente e foi muito bem entendida e aceita. Só excluí o comentário por algumas razões específicas que não vem cabe espormos aqui, certo? Mas se quiser me mandar um e-mail, vou ter o prazer de me prolongas no assunto (lipelacerda@yahoo.com.br).

Bom. Esse post é em atenção à você, Isa. E gostaria de dizer que a referência quase intersimiótica do Teatro Mágico naquela letra é extremamente proposital. Na fonética e na poesia. A música em questão, "AMANDA", vem com o descarado intuito de refletir (e defletir) a música "Ana e o Mar", que fico feliz por saber que você conhece tão bem. Como diz o próprio Anitelli, "pessoas assim são raras".

A letra que eu escrevi, em cadência e entusiasmo, assemelha-se mais a um verso recitado que a uma canção cantada. Jamais plagiaria ou tentaria "melhorar" algo que já se engendra como perfeito por excelência. Mas a quintessência da canção veio a tornar possível a existência da minha composição.

Sobre Divinópolis não ter mar, foi uma observação bastante perspicaz da sua parte. Mas Divinópolis também não tem Produtoras de Cinema, o que não nos impede de assistir filmes. E o fato de "Amanda adentrar o mar" nada tem a ver com o oceano nem navegar por ele tem a ver com deslizar um barco pelas ondas. "Todo o mar se faz estrada" por uma razão própria, uma evocação imagética que nos vem ilustrar algo que não precisa nem deveria ser óbvio. O caminho de Amanda é um caminho próprio e cheio de ondas, como o seu e o meu e o de todo mundo.

Quanto ao abuso do sentido visual no palco e a potencialidade de se extrapolar certos limites estéticos, pela agressividade que proponho, muito mais se aproxima da ardência do Cordel e da "psicodelia orquestrada" de Wado e o Realismo Fantástico. Nesse sentido, distanciando-se consideravelmente do lirismo que escorre pelo Teatro Mágico.

Essa preocupação já me ocorrera desde o princípio. Teatro é bom, muito bom,  mas esse projeto não destina-se a seguir sua tradição. Talvez os mesmos preceitos, mas vou tentar enxergar além da referência visual (que se posta na prática nem é tão parecida sob uma ótica mais atenta).

E em termos de texto, minha própria formação é outra bastante afastada dos lirismos. Talvez  poesia da AMANDA AGUIAR venham a carregar de beleza e sensibilidade as minhas próprias composições, como vem fazendo. Mas temos uma trupe de sensíveis autores desse projeto...isso, minha querida, justamente para que a construção da Borboleta Mecânica como um todo não fique centrada em mim ou na minha limitada visão de mundo e arte.

Espero ter lhe respondido à altura de seu carinho e inteligência, "Isa".

E prometo não lhe decepcionar.

 

Com o mais tenro carinho,

 

FELIPE LACERDA

publicado por Felipe Lacerda às 16:35

Muito obrigada!!!
Afinal de contas não é sempre que tenho o prazer de ter um post inteiro dedicado à minha tão insignificante pessoa, após um comentário.
Fico feliz pela atenção e espero poder ter contribuído para o seu sucesso!
Parabéns!!!

P.s.: Ninguém perde por ser clichê!
P.s.2: Não penso que vc não tenha personalidade, idem para originalidade e aliás penso que o que vc faz é de verdade.

Desejo sucesso!
Isa a 18 de Fevereiro de 2009 às 03:03

Alto, loiro, sarcástco, finamente irônico, ator, escritor, ano 87, à alcool, sére luxo, estofado de couro, rodas de liga leve, direção hidráulica...
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