Felipe Lacerda - o escritor que diz Ni

Fevereiro 08 2010

Talvez você não saibas ainda, andas meio offline, mas meu amor por ti é como uma canção de glória de Tatooine, é como passar de fase no Donkey Kong, é como um solo de Guitar Hero. 

Você é meu Save Game, o cooler do meu processador, o meu botão de power, O Y do meu "meia lua pra frente". 

É o meu pokemón preferido, minha air guitar, meu controle remoto, meu login e minha senha, é meu password, você é minha manha de vida infinita. 

É a Força que está comigo, é a luz do meu sabre, minha princesa Léia, você é meu mestre Jedi.

Minha personagem de mangá de cabelo colorido, o pó do meu pirlimpimpim, seu cheirinho parece o cheiro de história em quadrinhos nova.

Você é o título do meu livro, os créditos do meu filme. Você é o cogumelo do meu Mário, o turbo do meu Top Gear, o Sonic do meu Master System.

Você é o Jo Ken Po do meu Alex Kid. É meu capacete do Darth Vader, a entrada onde conecto meu USB,

Amar você é como zerar Mario World com todas as estrelinhas, é como dar Fatality no Shao Khan. Amar você é como ter superpoderes, é usar uma cueca por cima da calça.

Você é minha fase bônus, meu bug no sistema, minha sére limitada, meu bonequinho do Jaspion, meu olho de Thundera, minha Espada de Greyskull. Você é o fantasminha do meu Pac Man, minha pecinha de Lego perdida, o trem do meu ferrorama, o game boy que eu jogo todo dia na cama.

Você brilha como as luas de Krypton,  é bela como as coxas de uma uma streeper de Sin City. Seus cabelos parecem um comercial de xampú. Ver você andar pela rua é como assistir a um filme de Rdley Scott, beijar você é como assistr qualquer coisa do Tarantino. Você, minha personagem do Woody Allen, meu vídiozinho pornô em 3gp, minha visão além do alcance (que faz meu olho de thundera crescer)...!

Tudo isso porque, do fundo do meu disco rígido, eu nerdicamente TE AMO. 

 

 

publicado por Felipe Lacerda às 16:18

Fevereiro 08 2010

Não gosto de PUNK ROCK. É uma preferência pessoal, só isso. MAs quero que você ouça essa banda, liderada por Tiago Jardim. Conheci Tiago há alguns anos, e não apenas assisti alguns shows da banda como tive o prazer de dividir o palco do Muraski. Percebe-se no som da banda toda uma postura e atitude punk, mas preste atenção nas linhas de xontrabaixo, você achar ali o bom e velho blues. Talvez no jeito do tiago cantar, sem se importar muito9 com Afinação e se concentrando na LETRA que está cantando... uma pérola rara nestes tempos modernos de virtuosismo exagerado e carência de conteúdo, tempos difíceis de NX Zero e companha. Alcatéia nos mostra o bom e velho estilo de se fazer música, da época em que ter uma guitarra era empunhar uma espada. Cheia de protestos e convulsões clássicas do gênero, ouvir esse disco é como tomar um tapa na cara, um chute no umbigo e um beijo na boca, ao mesmo tempo. E isso foi um elogio

Muito diferente do que se vê no próprio gênero "PUNK", Tiago consegue conduzir sua trupe (trupe é o ideal mesmo) por linhas mais altas do raciocínio em suas letras que, embora gramaticamente simples e acessíveis, carregam um ardor verdadeiro e desbocado, falando algumas verdades que raramente são ditas num microfone, sem poupar palavrões de altíssimo nível.

Aconselhável para sons Stereo e vzinhos irritadiços.

Destaque para as músicas "Políticos" e Blues Infernal".

 

Para baixar as canções da Alcatéia é só clicar aqui:

www.bandasdegaragem.com.br/alcateiapunkblues

 

E para contatar Tago Jardim no orkut:

http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=6849342541420244440

 

 

 

publicado por Felipe Lacerda às 12:44

Fevereiro 05 2010

Magia é sutileza

Um poema é uma mentira

pela força da leveza

a forma que anuncia

 

A verdade nunca basta

quando amamos uma mentira

Um cigarro na sacada

onde a vida não cabia

 

(és meu veneno a tua boca se me beija à luz do dia

quando diz que a alma é pouca

quando amas tão vadia

quase nunca negas fogo

quando quema se anuncia

é quando a alma foge ao corpo

e me agarra feto coisa de magia)

 

Desde sempre acreditei

na praticabilidade do impossível

nas ondas da TV

nas janelas dos vizinhos

 

Um dia cheguei perto,

bem perto,

De ser feliz na vida. 

 

Na verdade me corrói

Ser poeta e vício, outra puta ironia

Seria mais forte o sangue do herói

se não fosse a heroína.

 

 

 

publicado por Felipe Lacerda às 11:43

Fevereiro 03 2010

 "Jogue suas mãos para o céu, e aproveite se acaso tiver, alguém que você gostaria que estivesse sempre com você, na rua na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapé"

 

Há alguns dias recebi uma daquelas notícias avassaladoras, que fazem você não pensar em mais nada: Uma grande amiga estava no hospital, passando por procedimentos cirúrgicos. Ela não corria perigo de morte, mas como convencer a minha mente turva e dramática de que isso era uma possibilidade remota? Depois de assistir tantos programas de TV, noticiários e tudo mais, sempre pensamos que os dramas da nossa vida são realmente maiores do que são. E não vamos exagerar, não é?

Mas o fato é que tudo isso me fez parar, novamente, e pensar (como se eu não fizesse isso o suficiente). E mesmo em meio a um turbilhão de coisas de trabalho e resoluções de ano novo (isso significa, dentre outras coisas, enriquecer drasticamente) uma pergunta me colocou uma pulga gorda atrás da orelha:

Quando ouvimos notícias assim, dá vontade de aproveitar a vida, não é? Vêem todos aqueles videozinhos de filtro solar, de Shakespeare, Titãs, na nossa cabeça e pensamos "poxa, a vida termina rápido, é melhor aproveitá-la". Sim, mas a questão não é esta. A questão é: o que diabos é aproveitar a vida?

Será que aproveitar a vida é vender tudo, comprar um barco e atravessar o oceano com um estoque de comida enlatada e um rádio que não pega metade do caminho? Será que é vender água de coco em Porto Seguro ao som da última versão de Macarena em português? Será que aproveitar a vida é largar o seu namorado ou namorada de três anos mornos e começar a dar uma de Samantha em "Sex and the City", pegando só o que dá?

Ou talvez montar um blog, encher-se de ironia, andar com uma bengala tipo House e fazer da mente dos outros um playground? Gosto disso. Do House e do playground, não da bengala.

Eu acho que aproveito a vida. Eu acho. Meu trabalho, eu nem chamo de trabalho, embora o seja. Mas não é tão maçante quanto um balconista, nem tão pesado e sujo quanto um servente de pedreiro, nem nada assim (aliás, antes que mais alguém me ameace dar uma surra, vou logo avisando que meu pai é pedreiro e eu já fui balconista). Meu trabalho envolve coisas  que amo fazer:  CONVERSAR, VENDER, ARTICULAR, MANIPULAR  CONVENCER, ADMINISTRAR, OUSAR, entre  outras coisas que um orientador comercial faz, além de usar uma gravata invocada (falando assim, parece até sou realmente importante). 

Eu sou curioso a ponto da minha mãe sempre dizer que não posso ver um saco fechado chegando em casa que  abro e, assim, eu conheço um monte de coisas novas, da mesma forma em que um dia prendi o dedo numa ratoeira ao tentar descobrir que barulhinho era aquele atrás da geladeira. Eu me considero uma pessoa amiga, pelo menos de mim mesmo. Eu cometo algumas gafes, faço alguns disparates de vez em quando, mas a idéia de pular de pára-quedas ainda me soa como o grande caminho para o Nirvana.

E aí? Será que eu deveria querer pular SEM pára-quedas ou voar de balão na Capadócia para estar de fato aproveitando a minha vida?

Depois de muito analisar e de deixar a minha intuição falar um pouco mais do que isso eu cheguei a uma conclusão, então preparem-se:. Aproveitar a vida é ser você mesmo! (UAU! Uhúúúú! Genial! Augusto Cury!) Se o que te deixa feliz é limpar a casa todinha e fazer um belo jantar para o seu marido, namorado ou gato de estimação, mesmo sem ter nunca saído do seu bairro, que ótimo, você está aproveitando a sua vida! Desperate Housewifes, mas é  a sua vida! Se o mais importante é se aventurar em uma terra desconhecida e você o faz mesmo que tudo seja planejado metodicamente, que bom, você também está aproveitando a sua.

O que não é aproveitar a vida, para mim,  é mesmo tendo tudo isso, não ter paz no espírito ou no coração. Não conhecer a si mesmo a ponto de não ter a menor idéia do que quer fazer com a sua vida. Não olhar para dentro e continuar procurando do lado de fora de você a resposta para todos os seus problemas, seja num amor, numa viagem, indo pro Oriente Médio ou sendo rica e famosa. Não aproveita a vida quem não olha o pôr do sol, mesmo que seja da laje de um barraco, e se sente emocionado, lá no fundinho, com o espetáculo que é a natureza. Não aproveita a vida quem está com pressa de ser e de ter. Quem tem pressa de ser mais feliz, não está aproveitando a vida, mas a encurtando. Quem está preso na própria ansiedade não vive em mundo algum, está só flutuando, como um dente-de-leão, procurando um solo seguro para se firmar. Quem acha que a felicidade está "lá", seja lá onde este "lá" for.
É claro que eu quero realizações. Mas eu só posso me realizar quando eu viver a experiência por si só. Quando eu tiver um filho, não porque eu quero que alguém cuide de mim na velhice ou porque eu quero ter para quem deixar os meus dólares, mas porque eu quero saber como é a experiência de cuidar de um corpo pequeno que recebeu uma alma grandiosa (sim, porque todas as almas são grandiosas). Eu aproveito a vida no café que eu tomo com um amigo, mesmo que eu tome aquele café pela milésima vez. Aproveito a vida comendo o meu pastel de camarão na feira todo sábado de manhã, plantando sementes no algodão. Eu aproveito a vida quando abro meu armário pela manhã e quero, tenho o tesão de escolher uma roupa, porque é isso que eu mereço. Porque, por mais piegas e lugar-comum que isso possa parecer, a vida é só o que tenho no hoje.
 

 

O amanhã não chegou. O ontem já passou. E o desespero chega justamente quando queremos algo que tínhamos ontem  e não temos hoje, ou que queremos saber se teremos amanhã. Até porque, a hora da morte é sagrada e também precisa ser aproveitada como um novo nascimento. Um nascimento de outro nível, em outras esferas que deverão também ser muito bem aproveitadas.

Aproveite que está lendo este texto, e se perceba. Perceba como está sentado, perceba as partes do seu corpo, o contato do seu corpo com a cadeira. Perceba a maciez das coisas ao seu redor, as cores, os cheiros. Perceba qual é o seu sentido mais aguçado. Isso é viver e aproveitar. No aqui e no agora, da maneira como as coisas são ou estão. Ame intensamente como não se houvesse amanhã. Porque, quando chegar o amanhã, ele será o seu hoje mesmo. Largue a carga que você carrega, não tenha uma lista enorme de obrigações. Sinta o prazer de ser um  pouco só.

Aproveitar a vida é ter prazer. Por que a dor virá, inevitavelmente.

 

 

 

 

 

P.S. Minha amiga está ótima, em casa e se recuperando. Era só um apêndice. 

publicado por Felipe Lacerda às 16:13

Fevereiro 03 2010

Eu recebi esse comentário aqui. Daí eu liguei pra ela:

 

_Não, não sei quem poderia ter comentado aquilo, Felipe.

_Pô, eu te liguei na esperança de você me dar uma luz.

_Desculpe... eu acho.

_Algum ex-namorado seu? Ficante obsecado, underground frustrado ou nerd espinhento de auto estima baixa com incapacidade de comunicação direta?

_Ham... não.

_Mas então quem, minha nossassinhora da auto ironia!? Como assim um comentário daquele?! Porque alguém ameaçaria me dar uma surra?

_Felipe, porque alguém NÃO te daria uma surra?

_A questão é que não existe uma lógica óbvia para isso. Geralmente eu sei porque neguinho fica puto comigo. Não admito ver alguém revoltado comigo sem que eu possa me vangloriar do motivo!

_Felipe, vai ver é um trote. Ou o cara só está com uma pontinha de ciúme po alguma coisa.

_Ciúme de quê, por exemplo?

_O filme, talvez outro projeto. Você está metido em tanta coisa que tanta gente gostaria de estar. Quem teria inveja ou ciúme disso, que você conhece?

_Em ordem alfabética? ISSO NÃO AJUDA MUITO.

_Relaxa, é só alguém te enchendo o saco e ameaçando explodir seus miolos. Não é a primeira vez que isso acontece.

_Tem razão. É só mais um. Tantos-tantos. Vou começar a distribuir senha.

_é.

_Pois é. só ligue poque achei que fosse algum ex seu ou algo assim. O cidadão me parece bem enciumado por alguém que eu supostamente andei paquerando.

_Não, não...não conheço ninguém.

_tá bom, então. Tenha uma bo...

_PERAI! VOCÊ ANDOU ME PAQUERANDO???

 

(tututututu...)

 

publicado por Felipe Lacerda às 12:02

Fevereiro 02 2010

 

Je t’aime
 
 
Uma piada sobre o amor. Ou um olhar sério sobre a comédia romântica. “Je t’aime” é um poema exótico sobre os costumes, manias e trejeitos do namoro. Uma fábula de amor e ódio através da ousada ótica de dois apaixonados, no sentido mais exato da palavra.
Léo é um escritor inteligente, sarcástico e auto-irônico. Possui um senso de humor doentio.
Bia é uma fotógrafa muito bem humorada, irônica, bonita, inteligente e completamente maluca.
A única coisa que Léo e Bia possuem em comum é a inteligência e a ironia.
Duas almas quase opostas.
Dois universos que colidem.
O namoro dos dois obviamente não durou muito. Agora separados, não querem mais nem ouvir o nome um do outro. Pelo menos é o que eles dizem.
Mas quis o destino, esse sacana, que algo absurdo viesse a acontecer.
Bia é obrigada a passar quatro dias na casa de Léo, mesmo contra a vontade dele.
Com diálogos rápidos e texto dinâmico, recheado de uma deliciosa ironia fina, Je T’aime nos apresenta uma visão verossímil de qualquer relacionamento, qualquer casal que se ama e se odeia ao mesmo tempo.
Com sacadas de humor inteligente e ironia debochada, mesclados a momentos de tocante ternura e amor, a história dos dois nos convida o tempo todo a chorar e rir de nós mesmos.
 
Essa é a hilária reflexão sobre o amor, a cumplicidade, a dedicação, o carinho, as brigas, implicâncias, intimidade, defeitos, orgulho, individualismo, romantismo...
Todas as mazelas do relacionamento ilustradas por um casal irreverente, sagaz, contemporâneo e tragicamente inteligente.
 
 
JE T’AIME
 
Roteiro e co-direção: Felipe Lacerda
Produção e direção: Mariana Penido
Protagonizando a história: Felipe Lacerda e Marielle Zum bach.
 
 

 

 

Esse, o mais audacioso que já coloquei em prática, trata-se de um projeto cuja intensão primordial é a inscrição em festivais e mostras de cinema. Tenho peito pra isso, essa equipe toda tem peito de sobra pra isso. Mais um monte de gente envolvdo em todo o processo tem peito o suficiente pra isso.

SPECIAL THANKS para os patrocinadores, apoiadores e divulgadores do filme.

Menos para o pessoal da lei de incentivo, que tiraram banca e ajudaram porra nenhuma.

Ainda.

 

De uns tempos para cá parei de anunciar meus planos de dominação global aqui no Espalhando Câncer, mas como esse filme está em avançado estado de produção e algumas coisas já até foram inicializadas, creio que vocês devam saber.

Mais que qualquer outro exibicionismo da minha parte, é motio de imenso orgulho para mim co-dirigir com uma produtora fantástica e contracenar com uma atriz tão incisiva. 

Além do mais, para todos os que sobestimam minha capacidade de pôr em prátcas minhas concepções e acham que não passo de um sonhador iludido, vai  aí declarado em audio e vídeo minha mais completa, saborosa e luxuriosa desforra

Mordam-se de ódio, palhaços.

Para quem torce sempre por mim (deve haver alguém), meus apaixonados agradecimentos.

E pelo amor de qualquer deus, você aí que anda comentando sem dar o nome (assinando com essa carinha esquisita), faz o favor de me ironizar menos. Feito assim, do jeito que está, fica parecendo inveja.

 

Em breve num cinema perto de você.  

 

publicado por Felipe Lacerda às 15:07

Fevereiro 01 2010

 

Não confiem no que dizem os astros

a meu respeito.

publicado por Felipe Lacerda às 15:09

Janeiro 30 2010

É numa ordem aleatóra que as coisas se avolumam na cabeceira da minha cama. Folhas de cheque rasuradas, extratos bancários, cartas de amor (e de ódio também), correspondência comercial, anúncios de quase tudo que se pode anunciar, cartões de visita panfletos de cursos, planos telefônicos, lojas diversas, festival disso e daquilo, convites de casamentos, recortes de jornal, folderznho de cigana jurando trazer meu amor de volta em 24 horas. Tempo récorde.

Na cabeceira da minha cama, empilhado ao lado de um abajur do Pikachu que infelizmente eu não tenho, estão algumas fotos rasgadas, outras rabiscadas, outras escritas com legendas bem-humoradas, como tudo o que resta a um homem que só quer um pouco de tudo e carrega na alma uma porção de todo o nada que existe por aí. Ao lado da minha cama estão as capas de discos antigos, dos engenheiros, que comprei num sebo, coexistindo numa relação quase pacífica com alguns livros antigos que também vieram de um sebo. "Letras do jardim", eu acho. Foi lá que eu passei duas horas conversando e trocando fábulas sobre as músicas do André Abujanra.

Na cabecera da minha cama tem um abajur que não existe, mas está lá.

E quando ela vem me visitar (ela não tem nome nem é a mesma pessoa) fica olhando a luz do abajur se projetar magicamente no teto esmaltado de amarelo, sentndo o ventilador girar molengamente, ameaçando despencar, como quase tudo nessa vida, sob a custódia exortadora de um Humberto Gessinger que meio que sorri na capa do disco.

Existe isso e existe o que não está lá, na cabeceira da minha cama. Meu quarto tende a ser escuro. Só clareia um pouco quando ligo o abajur.

É aqui que eu me sento (me deito, me rolo, me jogo) para escrever, para ler, para tocar violão, para cantar baixinho as melodas que faço na hora, as letras que invento, as rimas que faço.

Só não consegui ainda, eu acho, rimar "amor" com porra nenhuma.

Fonética é fácil, quero ver é achar coisa parecida. Pra mim, rimar não é termnar igual. Para mim as coisas rimam por afinidades, porque combinam.

Logo, sorvete rima com beijo, sol rima com óculos escuros e Lua rima com a Bia. Você aí, preste atenção nisso: Regras são excessão, nunca o contrário.

Tô com puta saudade de assistir filme legendado juntos, comer algum lanche pouco nutritivo, ouvir música no mesmo MP3, puxando o fone da orelha da garota toda vez que viro o pescoço. Tô com saudade de dividir um pote de sorvete e falar mal do cinema contemporâneo, discutir Amelie Poulan tomando uma latinha de coca ou algum drink absurdo num boteco cult qualquer, só pelo deleite do ato, evitando compromissos imediatos, porque estragar a nossa vida é um direito inalienável pertencente a todos os audaciosos como nós. E diremos que também gostamos do cheiro de Napalm pela manhã.

Não, não é de você que estou com saudade.

Estou com saudade é de alguém nunca esteve comigo num jantar à luz de vagalumes, mastigando em bocadas famintas pedaços gulosos da lua.

Essa saudade é de alguém que ainda não conheci, ou se já conheci, ainda não fomos devidamente apresentados.

Eu criei uma personagem para um filme. Ela se chama Bia. Bia é sensível ao charme das coisas simples da vida.

E sei que a Bia, tal qual como a criei, é impossível.

Inverossímel, até.

MAs já dá uma idéia da saudade que sinto. É como citarei na discussão sobre Amelie Poulain que ainda vou ter com alguém que ainda irei conhecer:

 

_E a minha desordem? Quem vai pôr em ordem??

 

 

 

publicado por Felipe Lacerda às 13:46

Janeiro 27 2010

Depois de certo recesso, estou aqui devolta. E gostaria de dizer que venho acompanhado meu próprio blog (???) esse tempo todo, inclusive comentado nele como um leitor (usando meu nome mesmo). E estou realmente espantado abismado com a quantidade de pessoas que comentaram em posts diferentes, com opiniões diferentes e as mais variadas possíveis sobre ó último post. Embora não deva explicar, eu vou: Fui promovido no emprego  e essas duas últimas semanas foram tragicamente desgastantes, repleta de pepinos a serrem resolvidos e reuniões chatas de empreendedorismo (empreeder não é chato, mas divagar sobre, é). Seguindo à risca o curso do meu plano audacioso de enriquecer até Maio, fui promovido na empresa onde trabalho. Aplausos para o empenho do loiro aqui, que agora é Orientador Comercial. Não apenas vendo como sou responsável pelos empreedimentos da empresa nesse âmbito. É todo um trabalho sendo reconhecido, isso é legal. Trabalhoso, mas legal.  

Mas enfim, é o seguinte: Ser um escritor é quase nada se você não for lido. Tentei dizer isso para um "N" número de pessoas que conheci ao longo desses 22 longos-anos-luz. 

E hoje, sentei na cama, liguei o som e deixei Damien Rice cantar baixinho. Eram 7 e meia da manhã. Passei 2009 inteirinho na cabeça, e ainda o cadinho que rolou de 2010 até agora.

Contabilizei lucros financeiros, contabilizei avanços na qualidade de vida. Contabilizei evoluções emocionais e de maturidade. 

Mas principalmente, contabilizei isso: Reconhecimento pela arte que faço.

Falta ainda um longo processo de descobertas e avanços, falta muito a ser feito e visto.

Mas do que já foi, tô com um puta orgulho. Coisas que nem preciso listar aqui, que se checar bem pelo blog vai sacar logo o que é. Da literatura ao vídeo, da música ao relacionamentos interpessoais. Da vida ao cinema mudo. 

Pessoas que conviviam comigo a dois anos atrás iriam adorar estar aqui agora.

Uma rede lançada em alto mar me trouxe peixes e pérolas.

Li grandes livros. Escrevi grandes livros. Saciei minha sede de amor, há agora espaço para o novo, o inédito, o que nem sonhei ainda.

Todo mundo achou que a "cartinha" que publiquei para Mariana Martins foi uma declaração de amor. Mas na verdade foi um tchauzinho dispistado, tímido, um adeus que a gente não quer dar, mas a vida acelera para todos os lados. Aquela cartinha, na forma de um singelo bilhete pueril, é só um beijo na bochecha ao se despedir de alguém que se gosta muito.

Vai com os anjos, linda.

Outra coisa: Quero agradecer efusivamente o comentário do digníssimo ex-guitarrista da nossa Borboleta Mecânica, Daniel Wanellle.  Você estava lá, cara. Só nós sabemos o frio que era subir no palco. Só nós sabemos, amigo, o terrível que foi saber demais.

Te adoro, cara. Sorte no C-4, sorte onde quer se meta. Que tomemos muitos porres juntos pela vida afora.

E aproveitando o embalo, um trecho do comentário dele, que eu achei especificamente curioso, inteligente e engraçado, como sempre somos por aqui:

 

"...o pessoal já comentou tudo aí em cima, mas voce escreveu uma coisa que eu fiquei aqui pensando, realmente a fêmea humana (leia-se mulher) é a unica que precisa ser mais bonita para conquistar o macho(leia-se caboco), aí eu lembrei do galo-da-serra uma ave que o macho exibe uma plumagem belíssima de cores quentes e uma crista parecendo um leque extremamente bonito já a fêmea é feia demais mais muito feia mesmo! kra! se eu fosse um galo-da-serra eu virava gay, juro."

 

Um abraço pra todo mundo que conheci nesses últimos tempos e os que já conheci de outros natais.

Você são muito, muito mesmo pra mim. Não duvidem disso.   

 

publicado por Felipe Lacerda às 18:26

Janeiro 19 2010

oi,

preciso lhe contar uma coisa que eu sei que já devia ter contado. E sei tabém que infelizmente você já sabe e não foi de miha boca que ouviu.

Mas conheci uma garota.

Não foi porque quis, nem foi totalmente inesperado. Mas posso garantir que não sai de casa com a intensão de conheer alguém aquela noite.

Só aconteceu. Ela, pelo visto, também não me esperava. Mas quando a vi, fiquei assim, como quem vê um anjo. Estou lhe contado isso porque, mais que qualquer outra pessoa, você merece saber disso de minha boca. Merece ouvir com minhas próprias palavras.

Então é isso. Ela me deixa sem fôlego, sem chão. Quando se aproxima de mim... é como se o sol se aproximasse. Ela me deixa caladinho ouvindo... ela me faz falar coisas e fazer coisas que geralmente não são de meu fetio.

Então é isso, eu sinto muito, mas você já está sabendo: Conheci uma garota fantástica.

 

E essa garota é você.

 

PS: Eu te amo.

 

(só não conta pra ninguém. Os leitores daqui precisam acreditar que eu sou fodão)

 

publicado por Felipe Lacerda às 15:29

Janeiro 14 2010

Sábado agora Grilo vai se casar.  Grilo é o Luíz fernando, irmão de Paulo Mendonça, filho do sr. luís e da Dona Valéria. Coisa de mineiro. Vocês ouviram. Eu não acreditei, ninguém acredita ainda. Mas ele vai. Já comprou casa e tudo. Então lá vou eu tirar minha gravata do fundo falso da gaveta.

MAs estive pensando...

... era um evento tamanho a sagração nupcial...' Li isso sobre um casamento num livro.  E, de repente, me vi pensando em um monte de coisas. Qual o sentido do casamento nos dias de hoje? E do noivado? O que estas coisas significam, ou seja, de que elas tomam o lugar, qual o seu signo? Porque, nos tempos d'antanho (estou gastando o arcaico hoje), como nos diz a música de Chico e Edu Lobo (Opereta do casamento), o casamento consistia numa autorização social para que o casal pudesse fazer sexo. Até aí tudo bem. Meio radical demais, mas inteligível. E "ai" de quem não esperasse tal autorizacão. 'Quero muito casar com você' significava, na verdade, 'Preciso fazer sexo com você urgentemente...' Em alguns lugares, chegava-se ao ridículo de expor publicamente o lençol das núpcias, sujo do sangue que comprovava a defloração da moça. Continuemos com a música: 'Do pudor da noiva a bandeira, após a noite primeira, desfraldava-se ao sol, a sua virtudeescarlate, igual brasão de tomate, enobrecendo o lençol. Mas se não houvesse tal mancha, que outramancha mais ancha se ocultava por trás... E o rapaz pagava o malogro, com a vendeta do sogro, oucom a malícia dos mortais'.
Mas a primeira função do casamento, na verdade uma 'troca de mulheres' remonta ao III milênio a.C. (e viva o wikipedia), com o surgimento da guerra. Vocês leram certinho: GUERRA. A guerra é resultado do abandono da vida nômade pelos seres humanos, do surgimento da agricultura, e da conseqüente falta de terra fértil para todos, as mulheres e filhos.
Os homens partem para a guerra, e a troca de mulheres entre as tribos acaba se tornando uma maneira de pacificar inimigos, e conseguir aliados (Eu lhe dou aquela loira peituda em troca daquele terreninho perto da montanha se você prometer deixar minhas cercas de pé. e ainda lhe volto duas camponesas gordas..).
As relações sexuais passam a se realizar fora da comunidade de origem, e passa a haver uma espécie de contrato entre as partes. Na verdade, um contrato entre os homens que 'fazem negócio' com a mulher em questão (pois, nesta época, os homens já dominavam o mundo, Antes na prática, hoje na teoria) justamente em função de sua participação na guerra. As exigências de virgindade e fidelidade da mulher, que surgem nos períodos seguintes da história humana, estão relacionadas à necessidade de garantia de que as posses excedentes do homem serão herdadas pelos seus filhos legítimos. Já no século XVIII, surge o infeliz cujo nome não me recordo que criou o tal ideal de 'amor romântico', [que] parece ser uma invenção masculina estratégica para criar na mulher o desejo do casamento. Eu disse isso em voz alta? Disse. Já que disse, acrescento ainda que a mulher (historicamente) sempre serviu ao homem: Primeiramente, com a função de conseguir aliados e de elevar sua posição social através da 'troca' das mulheres, depois, com a função de garantir, minimamente, a transmissão de sua herança para sua descendência. Para a mulher, o casamento sempre representou uma espécie de escravidão: Ser mandada para longe da família, para garantir a paz entre os homens, ou ser a 'mãe dos filhos de alguém', devendo a este alguém não só fidelidade e obediência, mas também a facilitação da vida pública, ao realizar as tarefas menos valorizadas socialmente – e após a Revolução Industrial, tratando de manter-se fora do mercado de trabalho, para não competir com os homens pelas vagas disponíveis. Que rapidamente seja disseminada a idéia de que o casamento é um desejo da mulher, e que esta seja vista como a que quer 'prender', 'amarrar', 'laçar' o homem, e que a fêmea humana torne-se uma das poucas – se não a única – que 'necessita' ter uma aparência mais chamativa que a do macho. 
Durante muitíssimo tempo o casamento teve uma função sócio política que nada tinha a ver com o amor. A partir do momento em que as mulheres conquistam a independência financeira e passaram a pagar os próprios milk shakes, e com o surgimento dos mais diversos tipos de contraceptivos, perde-se a noção destes motivos iniciais para o casamento e, embora ele continue a representar um contrato, trata-se de um contrato um tanto ou quanto diferente. Se, por um lado, é um contrato que define o que faz parte do meu, do seu, ou do nosso patrimônio, ele também passa a significar um contrato que obrigaria o homem à fidelidade. Por isso ele se sente 'amarrado', etc. Já a mulher está obrigada à fidelidade desde sempre. Muitas, ainda hoje, pagam com a morte qualquer transgressão. Mas se, hoje, além do sexo acontecer quase que cem por cento das vezes antes do casamento nas sociedades ocidentais (evoluímos!), a mulher já exige do homem esta fidelidade também muito tempo antes de casar. 
Então para que PORRA serve um casamento?
Parece ter relação com o desejo de ter filhos, e com a fantasia de que o amor irá durar para sempre. Então a tal fidelidade, exigida de ambas as partes, deverá ser para sempre também. 
Tanto é que um dos ritos trata-se da fatídica 'despedida de solteiro', onde o noivo transa com pelo menos uma profissional do sexo (pode ser a prima também. geralmente dá no mesmo e relembra tempos mais simples), como forma de despedir-se da possibilidade de transar com outra pessoa que não a futura esposa. Mas, como eu disse acima, hoje em dia a fidelidade já é exigida há muito tempo  (se cumprida ou não, aí são outros quinhentos...). Então as tais festinhas dificilmente acontecem. Por que antes a fidelidade só era exigida do homem depois do casamento (e as despedidas de solteiro tinham um certo sentido)? Muito simples: As mulheres não faziam sexo antes do casamento (mesmo que a abstinência sexual lhes fosse impingida, as mulheres acabavam por personificar a negação do sexo), e por isso não poderiam exigir que o namorado ou noivo ficasse sem sexo também (as mulheres perderam a compaixão ao longo da história). Porque os homens não agüentam, sabe? Eles podem ter algum tipo de ataque se ficarem sem sexo. Brincadeiras à parte, os homens não tinham real motivo para evitar o sexo antes do casamento, a não ser o ciúme da namorada. E, normalmente, nesta época, as únicas mulheres disponíveis para sexo fora do casamento eram as profissionais do sexo (chamadas de nomes menos bonitos nestes tempos em que não éramos obrigados a ser politicamente corretos). 
Hoje, no Brasil, mesmo que você não queira casar, nosso Código Civil está tão ridículo, que corre o risco de você ter que dividir seu apartamento com a pessoa com quem namorou dez dias. Ou seja, foram criados mecanismos de controle, que definem o que é uma 'relação estável' e que obrigam a certas responsabilizações financeiras. Se quiser fugir disso, o casal precisa fazer um contrato em cartório, para garantir a separação total de bens. Ou seja: hoje em dia é preciso um contrato para não casar. Separar-se está quase tão difícil para quem é casado quanto para quem não é. Quanto aos filhos, há muito tempo que eles devem ser reconhecidos por ambos os genitores, independente do estado civil de ambos e de cada um. E o exame de DNA não deixa mais dúvida sobre dúvida.
Durante algum tempo, as pessoas usaram alianças finíssimas, ou aliança nenhuma, apesar de serem casadas diante de Deus e dos homens. Hoje, isso acabou. Como o casamento é realmente opção, as pessoas estão colocando verdadeiras argolas nos dedos, quase da grossura de uma lata de refrigerante.
E o noivado? Ah, o noivado! Durante alguns anos (possivelmente décadas de 60 e 70), significava uma liberação adiantada para o sexo entre o casal. As mulheres não casavam mais virgens, mas o marido era o primeiro (e único) homem da vida delas (até que o desquite ou a infidelidade os separasse). Depois, virou apenas um aviso de que, um dia, o casamento iria sair. E aí pessoas começaram a morar juntas, mas, para avisar ao pais (e às vezes ao resto da sociedade) que não pretendiam deixar de casar, passaram a dizer-se noivas, às vezes, com festa de noivado e tudo. A quantidade de pessoas noivas que eu conheço ou conheci, vivendo, contudo, maritalmente... Muitas vezes, o casamento destes noivos vem depois de uma gravidez indesejada (será que pela mulher também? ops. isso foi maldoso).
Enfim, tirante o desejo de ficar junto, de dormir na mesma cama todo dia, de ter filhos, tudo isso perfeitamente possível de ser feito com a maior simplicidade e facilidade para a maioria esmagadora das pessoas com mais de 18 anos, parece existir ainda uma necessidade de realizar esta cerimônia e assinar este contrato. E a noiva continua casando de branco, símbolo da virgindade e da pureza, e linda como uma princesa. Claro, há quem dê importância apenas ao lado religioso do casamento. Outros, cínicos, dirão que as pessoas casam apenas para ganhar presentes. Quer saber? A festa dar tanto trabalho, e custar tão caro, que não deve ser isso não. Penso mais que é uma espécie de anúncio de posse (de ambos os lados), e a necessidade de receber um aval social. O casal, depois disso, torna-se 'respeitável'.
Enfim (de novo), ainda precisamos (ou muitos precisam) de licença para fazer sexo. Que seja ao menos dos bons. E como diria o desbocadíssimo Vinícius de Moraes, parodiando a si mesmo: 'Que não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinito enquanto duro'...

 

publicado por Felipe Lacerda às 13:17

Janeiro 14 2010

É quase a mesma coisa toda semana:

- Eu vou ao cinema amanhã.

- Ahn.. legal..

- Às 19 horas.. aquele filme que você queria assistir.. aquele lá.. o “2010”.

- Hum.. legal..

- Se você quiser ir, não vou por nenhum obstáculo.

- Você está me convidando para ir ao cinema?

- É um lugar público, se você quiser ir o que eu posso fazer? Qualquer um com dinheiro pode comprar ingresso e os lugares não são marcados. O que quer dizer que não importa o que eu quero… você sempre pode acabar sentando perto de mim.

- Pergunto novamente: por acaso isso é um convite para ir ao cinema?

- Por quê? Por acaso você quer ir ao cinema comigo?

- Ahn.. tá.. pode ser…

- Hum… Então talvez eu esteja te convidando…

Quase toda semana é a mesma coisa… Ele a arrasta por toda a minúscula praça de alimentação daquele mesmo shopping, para acabarem no café. Quase toda semana ele repete o mesmo ritual de olhar o cardápio, perguntar dos lançamentos, para pedir o mesmo pão de queijo e orégano com rosbife. Quase toda semana é igual.. mas.. algumas vezes:

- O que tem nesse sanduíche?

- Tomate seco com mussarela de búfala. Quer?

- Tomate seco? Como assim tomate seco? Tem tomate seco? Porque ninguém perguntou se eu queria tomate seco?

- Ahn… porque você não pediu o de tomate seco.. mas é só uma hipótese.. devaneios dessa mente perturbada aqui.

- Eu acho isso um absurdo (diz ele irritado).. eu vou lá perguntar pro atendente porque ninguém me ofereceu tomate seco.. porque blá blá blá.

- Ta, ta.. toma o meu sanduíche com tomate seco.

- Ahn? Não… eu não gosto de tomate seco.

- Oi?

- Não gosto de tomate seco, oras! Isso é coisa de mulherzinha…

- Então porque todo esse chilique por causa do tomate seco?

- Ora essa. E o meu direito de recusar o tomate seco, como é que fica? Estão cerceando meu direito de dizer não.

- Então, você está bravo não porque queria tomate seco, mas porque não queria.. é isso?

- Hum..é..

- Ohnnnn.. Quer um abraço?

publicado por Felipe Lacerda às 11:31

Janeiro 13 2010

Manhã Seguinte, na porta da geladeira, preso pelo ímã da Hello Kity:

 

"Só queria dizer que não me importo com aquelas pintinhas nas costas

nem com as sardinhas vermelhas no decote.

São até sexys, é sério.

E também não estou nem aí para alguns quilinhos à mais, que nem são tantos.

São na medida certa. Você não é gorda, é gostosa. É impossível alguém ser gorda com 63 quilos e 1,74 de altura. É bom. Tem onde pegar.

Me enrolei com algumas modelos que são bidimensionais, em todos os sentidos.

Você é 3D.

É linda, do jeito que é.

E o melhor, consegue entender as coisas que falo.

(entendeu?) 

Pelo amor de Deus, pare com essa paranóia bulímica.

Quero ver você nua, não apenas sentir no tato.

Quero ver com os olhos, lamber com a língua, morder com a boca.

Quero um show de pleonasmos.

 

Gata, você não precisa de uma lipo.

Precisa é de amor próprio".

 

PS: Adorei o desjejum. Mas da próxima vez me acorda antes de adoçar o café.

E obrigado por entender que não estamos namorando.

 

publicado por Felipe Lacerda às 15:14

Janeiro 07 2010

Somos etéreos

Eternos cabisbaixos na correria do tempo

(Não vemos o tempo passar?)

 

Somos falácias de um velho beberrão

somos piratas de uma nova geração

(Pra quê rimar?)

 

Embalsamados em vinho tinto

Desnutridos de paixão

(um homem é a soma de seus vícios)

 

Queria saber mais sobra as estrelas

e menos sobre as sombras de seu rosto

(e seus gostos, seus vícios, seus martírios, seu tesão)

 

saberemos matar matar mamutes

e desbaratinar moinhos

(enfrentar o dragão)

 

Mas não somos, em toda a nossa infinita sabedoria dos punhos

rebater seus olhares gelados de ser cognitivo

(essa não)

 

Queroamaispurasomadetodososmedos

que subtraia meu temor

(numa maldita tarde de sol)

 

Por que você se fez tão linda?

publicado por Felipe Lacerda às 16:26

Janeiro 06 2010

[acreditem se quiser, mas fui eu mesmo quem escrevi]

 

Homens de índole duvidosa criaram o pôquer na região do Mississipi (Estados Unidos), terra do blues, entre os séculos 18 e 19, segundo o Google. Época em que se resolvia as coisas na bala e não existia emocore para desvirtuar pré-adolescentes e transformá-los em maricas. O jogo foi criado usando como referência jogos europeus e asiáticos.  A ideia era amplificar o impacto do talento e da pilantragem  da inteligência e dissimulação, além de ao mesmo tempo manter a impressão de ser imprevisível, como o jogo de dados. Mas sabemos que pôquer é acima de tudo, um jogo de técnica.  De manter a cara de paisagem (poker face) e fazer os idversários acreditarem que você está com um  Royal Flush entre os dedos. Coisas que as mulheres fazem naturalmente, então elas levam uma vantagem biológica que torna a coisa injusta.  Pôquer é um jogo de homens ao redor de uma mesa, testando sua intelig~encia e astúcia numa metáfora das savanas. Mais ou menos como o Truco, só que sem a gritaria e o torresmo.

 

Aprendemos duas coisas aqui:

A) Homens são animais que gostam de expressar sua "inteligência" em grupo.

B) Mulheres não são bem-vindas em mesas de pôquer.

 

  

 

Pois é. Antropologicamente falando, nós homens, somos tribais, guerreiros e fodões. Bárbaros conquistadores, vikings beberrões e Adoradores de divindades estranhas com cabeça de animal e corpo de gostosa de comercial de cerveja.

Claro que nem todos nós somos assim. Existe um subgênero que gosta de programas de culinária, mora sozinho e foi criado pela avó. Ouvem Britney Spears e sabem preparar um  Coq Au Vine como ninguém.  Eu chamo a esses tipos de "homens sensíveis subprodutos de uma revolução feminista frustrada". Já as mulheres chamam de "amigo gay". A psicologia chama de "novo modelo masculino".

Mas no popular, é VIADO mesmo. Por isso vocês fofocam com eles, dançam com eles, escrevem poeminhas com eles, trocam adesivinho da Pucca e bottons de anime com eles.

Mas namoram com nós, homens de verdade. Papai me ensinou que ser homem é muito mais que ter um pênis que de vez em quando fica ereto, mesmo sem motivo aparente, durante o almoço de domingo na casa da namorada! É muito mais que isso! É um Way of Life, é uma filosofia existencial passada de geração a geração, desde os primeiros macacos, desde o primeiro homem que usou a expressão "o meu é maior que o seu"! Nós não precisamos de dicas de moda para nos vestir, nós precisamos de uma camiseta de banda e uma calça jeans. Nós não nos perdemos nunca, nosso carro não precisa de GPS, e por falar nisso, nós sabemos estacionar um Fusca! Temos utilidades! sabemos trocar lâmpadas e matar baratas (ham..er..bem...) somos fiési carregadores de sacolas enquanto vocês visitam irritantemente cada maldita loja do shopping!  Nós comemos saborosos e gordurosos sanduíches carregados de bacon, queijo, batata palha e pedaços de carne humana (reparou que o chapeiro é meio maneta?) enquanto vocês comem esse sanduíche natural que vem num plastiqueinho e tem uma azeitona enfiada num palito de dente. Nós não gostamos de patê de frango, gostamos de coxa de galinha frita! Não queremos champanhe francês, queremos vodca russa, creveja holandesa e pinga da roça!  Não precisamos aprender a fazer um estrogonofe de frango ou uma torta de frutos silvestres, porque tudo que precisamos é de um pratinho de tira gosto, e isso até um homem consegue!

Vocês mulheres, já devem ter se perguntado o que nós homens fazemos tanto juntos. Porque temos tanta necessidade de nos agrupar num boteco e encher a cara, assistir DVDs de flashback com clipes do Guns' n 'Roses e sair cantarolando num inglês embromation às duas da madruga, abraçados e em coro cacofônico. Que nós, machos alfas, dominadores da matilha e senhores das cavernas, nos abraçamos bêbados e dizemos que somos amigos de todos no bar, colocamos apelidos zuadores no garçon e colamos o rótulo da cerveja no copo americano. Comemoramos vitórias no futebol como quem festeja a queda do muro de Berlim. Ostentamos troféis ridículos de campeonatos interbairro de truco e damos um verdadeiro chilique quando vocês, mulheres, ameaçam terminar o namoro se usarmos de novo aquela cueca furta-cor desbotada da sorte. E ainda emolduramos na sala de Tv aquela medalha de bronze do Clube dos Garanhas, pelo terceiro maior número de meninas beijadas na noite. Nós que conhecemos nossas primas como ninguém mais as conhece nessa vida.

Vocês jamais nos entenderão. Não compreendem nossos sentimentos, nossas aspirações, nossas necessidades. Jamais poderão entender o porque de termos vídeos pornôs no celular, no MP4, no computador, em DVD e em Gif's animados.

Tudo o que queremos numa tarde de domingo é ficar de bermuda (aquela floral com o escudo do Cruzeiro) na frente de um ventilador assistindo algum filme do Van Damme ou do Charles Bronson.  Queremos idolatrar Chuck Norris do mesmo jeito que vocês adoram, sei lá, a Paris Hilton.  Logo, assistir aquela peça inteligentíssima sobra a finitude da alma humana contraposta ao vasto e profundo universo que nos rodeia NÃO É UMA OPÇÃO RAZOÁVEL.

Nós preferimos jogar videogame a assistir ópera, preferimos brincar de lutinha a discutir existencialismo alemão. Não queremos discutir a relação! É inútil! Vocês simplesmente não entendem a pureza imbecilizada de nossa alma pueril!

Nós nos matamos todos os dias para sermos fodões, intimidar os outros machos, impressionar vocês fêmeas  mulheres. Tudo isso para termos o direito de brochar de vez em quando, não estarmos a fim, sei lá, com dor de cabeça... entendam, é muita pressão! Vocês cobram muito de nós. Vocês querem que transbordemos testosterona na cama e destilemos finesse num restaurante chique!

Aí ficamos confusos!

Percebam que nós fomos talhados para usarmos machados, não alicates de unha! Nós até temos duas cabeças, mas uma não pensa! É uma batalha inglória e injusta! tudo o que queremos é um pouco de cerveja numa mesa de fumantes, sem nenhuma bichinha tossindo ou namorada tendo crise de asma! Precisamos nos libertar desse animal interior, ou jamais conseguiremos olhar para vocês e dizer todas aquelas coisas frescas e bregas que vocês gostam de ouvir! Para isso servem as noitadas com os amigos! Para exorciar o banana que existe em nós. Tenham a mais plena certeza que nunca se soube de uma mulher bonita dando bobeira num boteco sujo às 3:45 da manhã. Não precisam ter ciúmes! Tudo o que queremos é nos certificar dessa unidade masculina, essa cumplicidade eterna, essa seita satânica, queremos é nos carregar bêbados até em casa, falar palavrões escabrosos e sermos machistas sem levar beliscões na altura dos rins... coisas que a auto-preservação nos impede de fazermos perto de vocês! Olhar para aquela loira sem levar tapa no ombro, mesmo sabendo que amamos vocês e isso é só auto-afirmação de uma raça darwinianamente despreparada para um convívio social adequado.  Nós só queremos nos sentir um pouquinho livres... nós sempre voltamos para a coleira na manhã seguinte. Talvez até levemos flores.

Então vai aqui o apelo desesperado de um homem das cavernas:

PELO AMOR DE DEUS: EU NÃO VOU ASSISTIR AO PROGRAMA DA ELIANA NA CASA DA SUA MÃE! Domingo eu vou jogar videogame com a galera! VIDEOGAME! E vou desligar o celular! (silêncio do outro lado da linha) ... amor? peraí, benzinho-princesa-docinho-de-jabuticaba! amorzinho... não, não desliga.. môôr? Môr, cê taí?  

publicado por Felipe Lacerda às 17:48

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Borboleta Mecânica
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