É verdade, é verdade. Toda essa minha cara de indignação é minuciosamente ensaiada.
Poucas coisas na vida valem um nariz torcido.
É verdade, é verdade. Toda essa minha cara de indignação é minuciosamente ensaiada.
Poucas coisas na vida valem um nariz torcido.
Esse diálogo foi originalmente publicado em Junho de 2008. Mas essa sequencia foi adaptada para as gravações de Léo & Bia (não, não é a próxima minissérie da globo, antes que alguém pergunte). Esse diálogo aconteceu na ocasião das primeiras cenas da Orde de Dionísio, trabalho iniciado em Nova Serrana no ano passado.
_Felipe, porque estou gravando um filme há uma semana e ainda não sei sobre o que ele é exatamente? - diz ela, observando o interior do copo como se ali houvesse um espelho.
_Você não leu o projeto? Além do mais eu já disse, é sobre corrupção.
_Mas não denunciamos nada nem ninguém na história.
_Corrupção de mentes, subversão, desencaminhamento, essas coisas...
_Então a Ordem de Dionísio existe ou é invenção sua?
_É uma invenção minha que existe. Mais cerveja?
_Não. A história não parece fazer muito sentido. Entendi a mensagem de liberdade e tudo, mas fala-se muito pouco sobre os preceitos da Ordem.
_A Ordem é uma metáfora. É de tribos urbanas e solidão cosmopolita que o filme fala. Dessa coisa do tédio de não se ter o qe fazer e ter o corpo e os próprios desejos para se explorar.
_Isso rola em Divinópolis? O projeto fala que se baseia numa história real...
Eu explico pra ela a história real que não vou explicar aqui. Ela ainda retruca:
_Mesmo assim essa história me parece superficial. A vida não se preenche com o gozo dos sentidos apenas.
_Sei que não. E é por agora saber disso que escrevi esse roteiro. Uma catarse. entende?
_Ainda não. Se em Divinópolis a Ordem...
_...Mafia. Lá chamamos de "Méfia Costaniana".
_...Se a Máfia gira em torno de três pessoas, porque no filme aparece só um para corromper?
_Gabriel é uma síntese dos tres que te falei.
_E minha personagem?
_Sua personagem é a pessoa que ainda não encontramos por lá. A pessoa que vai dar seguimento a coisa quando os três caírem fora.
Ela fica calada. Bebe a cerveja. Pela cara que fez, deve te esfriado.
_Gostei bastante do filme, mas acho que teremos problemas.
_Não seria a primeira vez que isso me acontece. Quais exatamente?
_As pessoas podem não entender bem a mensagem. Ou podem entender bem demais e levar à sério.
_De qualquer forma eu me divirto.
_Eu discrdo de 70% do filme. O nosso corpo não é para ser assim expremido até a última gota. temos um caminho maior pra seguir, não podemos morrer todos jovens e extasiados.
_Sei que não. Por isso alguém precisa ficar e viver ra sempre. Só não precisa ser eu.
_E se você ficar? Digo..e se não morrera, envelhecer e ter filhos, virar avô?
_...
_Quer falar sobre isso?
_Tenho escolha?
_Não.
_(suspiro) Acho que a vida precisa ser consumada. Não adianta nada se não for assim. consumar a vida pode significar desde casar, ter filhos e mudar o mundo ou simplesmente faze um filme, compor uma música, escrever um livro...
_quando você se decidir a que veio, me avisa?
_Pare de ler meu blog.
_seus amigos tem razão, você é um clichê ambulante!
_Pare de ler o meu blog!
_E não confunda ética com éter de novo.
_PARE DE LER O MEU BLOG!
_Tá, tá, parei...
_(ufa!)
_MAs olha, seu roteiro é inteligente, adorei. Mas acredita mesmo nisso tudo o que diz?
_A parte filosófica ou a parte da putaria?
_Tem diferença?
(Por essa eu não esperava)
_Tem não. e tudo a mesma coisa. Só queria me esquivar. Que tal mais uma cerveja?
_Pode ser.
_Tá gostando do papel?
_Tem uma perte do filme que a gente dorme juntos, né?
_Tem. Mas nada explícito não, só insinuação. É pra ser um filme reflexivo, não pornográfco.
_E tem as meninas se beijando, tem eu beijando as meninas...
_é só insinuado também.
_Você é corajoso, sabia?
_Nem tanto. Seria um caubói se tivesse meia chance.
_Quê?
_Nada. deixa pra lá.
_è verdade que o Pastor da Universal te processou por algo parecido?
_Verdade é, mas não tinha nada a ver com isso. foi uma peça de teatro. Outra coisa.
_E tem medo de se expor demais, de nunca mais se livrar do movimento que iniciou?
_como assim?
_Você vai se casar um dia.
_Qual é, vá rogar praga na mãe.
_E se você um dia se arrepender de ser o que é hoje?
_O que eu sou hoje, senhorita?
_Não sei. O que você é hoje?
_Boa pergunta.
(Pagamos as cervas, mais um suco de laranja e aspirinas. A portaria do predio dela, meia hora depois)
_Então você vai me apresentar aos outros dois autores?
_assim que puder ir comigo pra Divinópolis.
_Talvez sexta.
(silêncio. frio. arrisco um comentário)
_Você é mesmo bonita. Vou ficar sem graça nas cenas mais...íntimas.
_Já está me cantando?
_Desculpa.
_tudo bem.
(Mais silêncio. Mais frio. Outro comentário)
_Bom, seria mais um clichê enorme se eu subisse pra conversarmos melhor longe desse frio? Tem café?
_seria um clichê enorme.
_Desculpe de novo.
_MAs voce é um clichê enorme, certo?
_Olha, da próxima prometo não nascer, tá?
_Calaboca, cara. Para de bancar o cafajeste arrependido.
_Teste do sofá, então?
_A cena está longe, Felipe.
_O que raios você quer que eu faça então????
(ela fica calada olhando pra mim. Mais e mais frio. Eu com cara de besta)
_Que tal um ensaio?
(Mais ou menos meia hora depois)
_Fui bem no teste?
_Nós ficamos apenas conversando e assistindo Laranja Mecânica (que eu tenho e já vi trocentas vezes)
_Você esperava que eu subisse com voce e a gente fizesse sexo?
_Hmmm
_Você é mesmo um clichê.
_desculpe.
_Só queria que você visse o quanto o Álex se parece com voce.
_Eu sei. Quase briguei com dois amigos por causa disso.
_O que fizemos foi enteder o roteiro que você escreveu> Não é sobre corrupção, é sobre LIBERDADE.
_É?
_É.
_Putz. O que faço com minha pose de mau agora?
_Pode começar apagando o cigarro.
_Porquê? Já falei um zilhão de vezes que não fumo pra fazer pose.
_É que é proibido fumar perto dos meus ursinhos de pelúcia.
_Mais ensaio?
_É. Vamos entender a parte da corrupção agora.
Email recebido há algum tempo, mas vale a apena comentar.
AUTOR ANÔNIMO - (os comentários em vermelho são meus)
"Lacerda,
Sou de Divinópolis e conheço você já há um tempo, inclusive sou amigo de uma ex-namorada sua (ops. Se é amigo de ex-namorada ele me odeia por tabela). Mas provavelmente você não vai se lembrar de mim porque você só se lembra de nomes femininos, certo? (certíssimo.... mas é que eles são mais bonitos, mais charmosos) Estou enviando esse e-mail por que sou um leitor do seu blog faz um tempo e gostaria de dizer algumas coisas que acho certas a seu respeito (muita calma nessa hora).
Primeiro, você é uma fraude. (sim. Meu nome não é Felipe Lacerda. Eu vim de Juazeiro do Sul, perto de minhoquinha sedenta do oriente, à dois quilômetros de lugar nenhum. Meu verdadeiro nome é Calypso Nirvana.) Nem louro você é, seu cabelo é castanho claro (não é castanho claro! é loiro escuro!). Segundo, quase tudo que você escreve é pra chamar a atenção. Quase tudo que você FAZ é pra chamar a atenção. Você é metido e arrogante e acha que um rostinho bonitinho vai conseguir tudo o que quer, e não é bem assim. (Não?) Não quero que você publique isso, esse recado é pra você somente, por isso não deixei no blog. (i'm so sorry, but is inevitable. I love it) Mas me irrita saber que um cara como você consegue espaço na Cultura mineira, e o pessoal do Ponto de cultura está melhor sem voce por lá. (Como assim SEM EU POR LÁ? procure nos lugares certos, rapaz!) Continue em recesso, pelo bem de todos (...) Sobre os seus livros eu li os dois na Biblioteca Pública e cara, você escreve bem demais (valeu, valeu...), mas suas idéias são imbecis (eeei!) Nunca vi tanta besteira sobre amor e sexo como naquele POR ENTRE SUAS PERNAS e nunca vi tanta egolatria quanto no APRENDIZ DE MOSCA MORTA. (você leu aquele livro? Onde encontrou uma edição dele? Achei que tinha perdidop todas de vista! Uau!) Espero que esse Longas Escadas seja melhor que os dois, já que você está trabalhando com esse outro escritor. Estava no lançamento do seu primeiro livro, e também assisti no mesmo dia aquele show horroroso (num tendi... o senhor me ama ou me odeia?), onde você parecia bêbado no palco errando a letra das próprias músicas. (putz, voce estava lá mesmo...) E também estava no último show que fez com a Borboleta Mecânica, no Muraski, onde você fez aquele protesto contra os burguesinhos dos prédios ao lado que pediram pra baixar o som. Quer saber o que acho? (tenho escolha?)
Acho que você precisa enxergar que na verdade VOCÊ é só um playboyzinho de merda que tem uma guitarra, e aquela música ESPIRIAL DOS ASTROS que você compôs deveria ser cantada para você todos os dias (mas eu canto, cara! Já ouviu falar em auto-ironia?). Você fala alto, você exagera demais, (desde moleque) e é só um filhinho de papai que ganhou uma guitarra de natal.(meu pai, pobre pai... teria que parar de comer em março pra me dar uma guitarra em Dezembro...) Quando a IURD processou você por aquela peça, ela devia ter ganhado. Você devia estar preso (ahhnnn... isso foi cruel e desnecessário).
Eu sou Emo, sim e com orgulho, tenho 16 anos e não sou moleque (Peraê, abaixa o volume da MTV! Eu num tô te ouvindo direito!). Você é um enrustido, um gay que se acha muito mais do que é, e na verdade não é nem metade disso (Metade do infinito ainda é infinito, guri). Suas músicas, assim como seus livros e o blog, são um retrato do seu espelho (????), um culto ao seu ego superinflado que só olha pra si mesmo. Suas tiradas geniais, suas frases de efeito, suas cantadas insólitas ("insólitas"? Geralmente funcionam!), tudo não passa de uma fraude. Desde 2005 quando você fazia aquele fanzine, o INSANO (cê já sabia ler naquela época, 16 aninho?), eu já venho acumulando razões para odiar você e sua pseudo-máfia costaniana (minha? o underground todo é meu? UAU!), um monte de gente que devia estar em casa brigando com o papai e a mamãe. Esses leitores são idiotas por ainda se prestar a comentar sempre seus textos. Você é deprimente (Peraí que eu vou ali atrás me matar um pouquinho de depressão)"
Dorme com esse barulho, dorme! Vê se eu aguento??
Ela desce o cabelo pelas costas nuas, a coberta na cintura,
o suor escorrendo entre as vértebras.
Uma apetitosa tatuagem de neon.
(quem realmente tem medo de lobo mau?)
Pouca gente sabe, mas o Espalhando Câncer, esse doce tubo de elétrons que você adora, está à beira de completar três aninhos de vida (Cochise, ajuda aí... data de fundação?). E esse blog tornou-se, ao longo de sua duração, um lar para mim e meus pretextos absurdos, minhas experimentações alquímicas e meus affairs, tenham eles perdurado ou não. De qualquer forma, todas as pessoas que conheci através direta ou indiretamente desse blog engrandeceram minha vida de algum modo, tornando esse bolinho de bits uma aconchegante sala de visitas.
Poucas brigas que comecei ou começaram aqui, duraram muito. É fato que as pessoas que se preocupam em criticar, o fazem com o coração já mais ou menos aberto, o que favorece uma amizade, seja em que nível for (não é, sr/sra desconhecido(a)?)
Ao longo desses quase três anos, muita coisa mudou. Muitas pessoas passaram por aqui e deixaram seu pedaço na história desse diário de bobagens. Pessoas realmente interessantes. E pensar que essa página começou como uma vitrine (vitrine é até hoje) de uma iniciativa cultural chamada Espalhando Câncer, fundada pelos escritores Cochise César de Montecarmo, Paulo Mendonça, o ator de stand up porra louca Rafael Louredo e eu, misto de ator, escritor e outras traquinagens.
Porém, o que era pra ser apenas um newsletter acabou chamando a atenção de muita gente, acabou apaixonando muita gente, acabou irritando muita gente. E cá estou hoje, com o término da Iniciativa original, tocando o carro sem controle de embreagem. Imagino aqui agora, no palco dos que sonham, um abraço coletivo de nós quatro, agradecendo à vocês, pacientes ou não, pela companhia todos esses loooooongos três anos. Hoje em dia, nós quatro estamos em caminhos mais ou menos diferentes, embora não tenhamos perdido o contato. O cochise é escritor, dono do site Óculos-La Factoria e se mudou daqui, foi morar em "santa minhoquinha do sul", ou algo assim. Paulo Mendonça, também escritor, é o que atualmente trabalha comigo no romance de terror "Longas Escadas", que deve sair da editora finalmente em janeiro. Conhecer o trabalho do cara, além de ler uma prévia do livro, no Recanto das Letras. Já o Rafael, único não-escritor, continua atuando por aí atualmente está com planos bizarros que envolvem casamento, um cachorro e uma casinha de cerca branca.
E se hoje nos tornamos o que nos tornamos, é porque sentamos um dia para sonhar juntos. E pode até parecer encheção de saco, mas fico muito feliz de ouvir dos leitores que eles conseguem entrarar em contato com essa paixão toda. Essa paixão que atravessa meu texto, nossos textos, nossas coisas.
Obrigado a todos. Tô agradecendo assim exaustivamente porque vou tirar uma folga daqui essa semana. Acontece que esse blog tem uma periodicidade quase (eu disse QUASE) diária, e preciso resolver algumas questões pessoais. Trabalho, estudo, essas coisas. Em uma semana eu devo voltar. Talvez um pouco mais que isso. Todavia, estarei checando diariamente meus e-mails, como sempre. Só no blog que vou dar um tempinho pra mim e para vocês.
Então, como auto-presente de quase aniversário para o espalhando Câncer, fiz uma coletânea dos comentários mais espirituosos deixados no blog nos ultimos três anos, por anônimos ou conhecidos. Alguns não estaram na íntegra, mas vou deixar o link para a consulta de curiosos. vale a pena reler isso. Fazer essa catalogação pra minha foi emocionante.
Beijo a todos, safe sex, bebam café alguém me empreste um isqueiro pelo amor de deus.
"... Olha, nós não brigamos por causa dele, é só jogada de marketing. Mas fico muito feliz de você colocar um pouco de juízo na cabeça desse loiro tingido..." (uma ex-namorada comentando o comentário da namorada - atualmente também ex)
"...Tô muito orgulhosa de você, seu lôro magrelo e burricido..." (outra Garota)
" Você diz a primeira coisa realmente inteligente, importante e verdadeira desse blog e ainda coloca esse "entre aspas"?" (Cochise César)
"Rapaz, se isso foi verdade você deve tá escrevendo do inferno..." (Léo)
"...Saudações nada entusiásticas de um proletário de merda que se encontra longe da sexta-feira..." (castor)
"Quando tudo isso acabar, podemos ir ao cinema, depois de matarmos gente chata por aí..." (Dai)
"Eu sei o que é uma UZI! Eu tenho uma em casa. Uso para dar cabo em machos que confundem a capacidade bélica de suas amadas. Hehe". (Mariana Martins)
"Hummm.. deu vontade de doce de leite e pão de queijo agora.." (Mah)
"Sabe... já tem tanta gente falando o que eu penso que eu vou ficar na minha dessa vez..." (bárbara)
"Ele é um gatinho, uma puta paixão. Inteligente, sensível e... loiro! Fazer o quê? Sorte é sorte :P
beijo querido!" (Dai)
"...e não quero ficar nesses ‘ânus glicosados’, porque a culpa é dupla. Já que a tara que cada um de nós dois temos pelo teclado vai fazer sair pólvora desses comentários..." (Mariana Martins)
...E outros tantos mais, num próximo post....
Por questões técnicas, fiquei ontem sem energia. Não, não foi o apagão que deixou no escurinho até o Paraguay. No meu caso foi inadimplência mesmo. Recebi a visitinha do cara da Cemig. Mas foi inadimplência porque fui enfiando as contas na gaveta e esqueci de pagar. Três malditas contas de mais ou menos treze reais cada. O que significa que ontem não assisti Dr. house. Sem contar o carregamento de carne que teve que dormir na casa da minha mãe e eticétera. Tudo porque o bacoió aqui esqueceu de pagar a porra das contas.
Mas hoje de manhã paguei todas e pedi o religamento emergencial, o que me custou mais uns trocados da taxa de urgência.
Mas enfim, esse não é o caso. O caso é que ontem, devido à falta de TV e demais facilidades elétricas, comprei uma caixinha de velas e me tranquei no quarto (Paulo Mendonça marcou-me um café, mas aquele escritório está sugando a alma dele). Terminei de ler o livro de Análise Comportamental que estava lendo. Depois parti para o de Somatização, dei uma relida em alguns trechos do Pequeno Príncipe, rascunhei frases desconexas e outras mais conectadas, escrevi bastante, desenhei, li mais alguns outros títulos que estavam empilhados na cabeceira da cama e quando comecei a cochilar, estava terminando o gibi do Chico bento.
E ainda eram 9 horas! Maldito horário de verão!
Mas quer saber a lição que tirei disso?
(Baixe a luz, por favor. coloque uma música de reflexão no fundo. Isso, agora fecha o close)
...Preciso fazer isso mais vezes. Apagar as luzes e ler à luz de velas. Em uma noite eu li tudo o que estava atrasado em minha vida. Não sei quanto a vocês, mas eu sou preguiçoso. E meu cérebro adora a passividade da Tv em detrimento ao esforço hercúleo de certos livros. O que nos torna burros e condicionados a uma existência vazia. Vazia de conteúdo e significado. Não prometo ler menos Tv. Prometo ler mais.
Esse hábito estava caindo em minha vida e eu nem estava percebendo.
Bom, pensando bem agora, foi até bom não ter pago aquelas contas. Descobri novamente um prazer semi-abandonado.
Hoje, depois de me espernear bastante por aí (e pagar as malditas), consegui com que a luz fosse religada. Mas confesso que foi mais pela carne que pela TV. ainda faltam alguns livros na minha escrivaninha.
Até mais.
_Sabe, Felipe... acho que devíamos terminar esse relacionamento.
_Que relacionamento? Nós fomos duas vezes ao cinema, trocamos alguns carinhos... falamos de Dr. House. Terminar o quê exatamente.?
_Você parece ser um cara legal, mas é muito inteligente.
_Uau... estou levando um fora num relacionamento que não existe por não ser burro? Será que só eu acho que isso não faz sentido?
_Não é bem assim. Existe uma química entre nós dois. Não seja fingido.
_Uma certa eletricidade, paixão avassaladoramente carnal, talvez.
_Não seja tão anti-romântico.
_Quer saber. Eu desisito de explicar. Mas não podemos terminar porque não começamos. Nós nem...
_Nem...?
_Nem. Você sabe.
_Sexo?
_Fale baixo. Não queremos ofender a moralidade ao redor.
_Felipe Lacerda está realmente ofendido por levar um fora de uma garota que não transou com ele?
_É, ele... quer dizer, eu...ah, qual é. Não banque a espertinha.
_Então não banque o idiota.
(Silêncio constrangedor)
_É uma situação delicada. Então não vamos mais discutir Dr. House.
_Nem ir ao cinema, Felipe.
_Posso perguntar porque?
_Já disse. Você é demais pra mim.
_Ah, num enche. Fale qualquer coisa... não gostou da minha voz, do meu cabelo, do meu riso... mas não me venha com essa.
_Mas é a verdade. Não quero mais sair com você porque a partir daqui vai ficar perigoso.
_Putz.
_Vou acabar me apaixonando.
_E?
_E o quê?
_O problema é...?
_Não quero me apaixonar por você. Sei do seu passado.
_Olha, eu até beijei um cara.. mas foi sei lá, meio que um experimento. Não deu certo, não gostei...
_Calaboca, loiro. Não me importo com isso. Tô falando das suas ex-namoradas.
_Ih, fodeu.
_Foram muitas.
_O que prova muito mais uma ecleticidade da minha parte que galinhagem em si.
_Eufemismo.
_Socorro!
_E é por isso que eu não quero me apaixonar pelo Don Juan aí.
_Não, não... tá tudo errado. se eu fosse um cafajeste já teria forçado a barra pra gente... e a gente nem...
_Nem...?
_Nem. Nadica de nada. Eu... sei lá... achei você legal, só isso. Não estou lhe pedindo em casamento.
_Tenho uma idéia.
_desde que não envolva outro homem, eu topo.
_Podemos ser amantes.
_Doida. Precisamos ter a quem trair para ter um amante.
_Podemos ser apenas... você sabe...
_como assim, que história é essa?
_Podemos trocar uns carinhos, amizade colorida, sem compromisso, sem se apaixonar...
_dar uns pegas de vez em quando?
_Estava evitando colocar as coisa por esse lado, Felipe.
_Tá, eu topo.
_Como assim você topa? Você é um cafajeste mesmo!
(Pof! Pow! Soc!)
_Peraí! Peraí! Que foi que eu fiz??
Eu também estou começando a fiicar com dó de mim. Apesar da maior parte disso tudo ser psicologicamente explicável pela imagem da criancinha e seu cavalo de pau, a verdade é que de fato ando meio sem noção de muitos aspectos importantes. Desculpa aí pela crise emodepressiva dos últimos posts, mas o universo anda meio descentralizado do lado de cá com a ausência de denominadores comuns palpáveis (ou apalpáveis). E a Bárbara até tem razão, mais ou menos... todavia, acho que o cafajeste aqui, se não reabilitado de todo, desde o último relacionamento experimentou um novo tipo de amor que vale a pena. Alguma coisa sobre verdade e genuidade além do simulável.
Sem mais delongas nem zigue-zagues, parto logo para los finalmientes, onde aceitando o convite do escritor Cochise César, vim a conhecer o blog http://falabras.blogs.sapo.pt/, e aqui vão minhas impressões do site, segundo os termos do contrato assinado com o Mefistófeles da Cajubrina, que anda no casa e num casa que adia meu bombom na porta da igreja:
" A primeira impressão que tive ao abrir a página foi como se eu entrasse num daqueles sites em flash da Barbie. senti um ligeiro aperto no esôfago que me fez pensar na onde raios o cochise havia me metido. Numa primeira olhadela o blog me inspirou desconfiança. Primeiro pelo cara que indicou. Nada pessoal, Cochise: Mas o seu gosto é tão apurado que meu intestino geralmente rejeita.
Enfim, danei a ler. E li e li e li. Li muito. Quando percebi, já estava lendo à um tempão. E rindo muito. Não que isso seja uma enorme vantagem, já que até Dr. Peppers me faz rir. Mas percebi que ria do jeito que eu rio com meus amigos. É isso que defini o humor do humor que eu gosto. O que me lembra a minha roda de amigos. Aqui, os resquícios dessa humanidade febril que habito entre prédios semi-altos, raramente se encontra paralelos no humor comum. Pois bem. O humor é tão sutil que ninguém em sã consciência chamaria de humor propriamente dito. Na medida correta, entre a gargalhada e o amarelo.
Porém, antes de voltar a falar diisso, vou falar de estética. É gostoso de ver e depois que se lê uma duas frases nota-se que a Barbie pegaria fogo se estivesse ali. É confortável com seus tons amenos e pestéis, parece um Hieronymus Mosh brincando no Flash. Mas uma ressalva que faria é sobre a onipresença do verde catarro-pneumonia. cansa a vista .
Os textos geralmente são curtos, e pela qualidade, você salta de um para o outro compulsivamente. Gostei dessa sensação. Me fez ler quase tudo. Quase tudo. Lógico que como todo blog, tem lá seus textos idiotas. Mas são excessão, o que é bom, numa blogosfera ridícula atual, onde excessão são textos bons, a maioria é idiota. Falo isso sem a menor maldade, por incrível que pareça. Realmente gostei do blog. Outra coisa que achei fantástica foi a construçõa de diálogos verossímeis, inteligentes e descontextualizados. Isso é, são simplesmente diálogos. Isso é algo que eu geralmente faço e achei maravilhoso encontrar alguém que também faça com o mesmo senso de humor sacana e ligeiramente confessional. Ponto por isso. O texto sobre a tensão sexual entre dois colegas de "projeto" é delicioso. E destacaria tabém o curtíssimo texto sobre os amigos no bar, o cara tocando violão. Ligeiro e fatal, como um tiro na testa.
De um modo geral, senti prazer lendo o blog. O que é raro, apesar de ser blogueiro, quase nunca saio por aí caçando blogs. Os que leio eu já leio a um tempo, e estão listados ali do ladinho. Só me meto nesse terreno arriscado de novos autores quando é por indicação de alguém, como foi nesse caso.
Outra coisa que me chamou a atenção foi o modo quase despretensioso dos textos. Detesto ler aquelas epopéias megalomaniácas dos blogs costumeiros, aquela coisa que parece um "ei, estou aqui! Olhem pra mim!" de uma adolescente de 15 anos em crise de identidade. No Falabras a coisa soa mais humana, mais real, menos existencialisma, mesmo que tesudamente auto-irônico.
É disso que gosto. Não é tãããão difícil assim me agradar. Basta ser inteligente. Apesar dos barracos que rolam por aqui de vez em quando, o Espalhando Câncer se presta ao bom cultivo da inteligência. Meus parabéns ao(s) autore(s) do Falabras, e embora não tenha conversado com eles ainda diretamente, tenho a impressão que teremos muito o que trocar.
Por essa razão, como faço com o que gosto, o link do blog já está ali na nossa barrinha direita. A todos os meus leitores desse tubo de elétrons (segure o riso até o fim da frase) fica a indicação, e eles podem comprovar a franqueza do que estou dizendo: Meu ego é grande demais para falar bem de algo que não tenha meu nome (podem rir agora). Então saibam, que se me prestei a escrever algo aqui sobre o site de vocês, é porque gostei demais. Então chega de desfiar seda, um abraço forte ao povo do Falabrás (continuem reinventando a vida. Ela é um saco) e um aos meus leitores, eu garanto: Vale o clique".
NOTA ESPECIAL PARA O COCHISE: Meu caro escritor que nunca usa bermudas, sua indicação foi excelente. Já os outros dois links que me enviou eu não gostei. E como não gostei, não vou resenhar. Se for pra escrever uma crítica negativa, prefiro economizar dedo. Eu teria que ter tido uma impressão para falar mal. Nem isso. Deve ser uma daquelas coisas de apuro artístco que você consome que fazem minha gastrite doer. Mas essa indicação... valeu por todas, amigo mefistófeles de cabeça chata. Continuas um gênio sublime. Abraço.
E VOCÊS VENCERAM! Parem de balançar ameaçadoramente essas tochas ! Eu DESLIGUEI a porra do ANTI-SPAM!
Se meu blog for infestado por propagandas de dietéticos ou alongadores de pênis eu MATO vocês.
Beijos molhados no espelho.
Filmes solitários de madrugada.
violão desafinado no sofa da sala.
Teatro Mágico nos ouviidos.
Um copo de leite na cozinha.
Ando realmente só.